café e dores

café e dores

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Fiz esse último verso

fiz de mim tão pouca
tão pesada, dolorida
fiz de mim passagem
e acabei passando sem querer
fiz do meu corpo porta de entrada
de quem não tinha intenção de ficar
e acabei indo com cada pessoa que levava
vastos pedaços de mim
padeço pela eternidade do presente a falta do que sou
na busca incessante de ser o que te agrada

fiz de mim poesia e morri no último verso

4 comentários:

  1. Linda poesia, linda você.
    Me surpreenda sempre com sua escrita fugaz e delicada e cortante.

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  2. a leveza de se deixar ir, pode se transformar num grande fardo. que bela poesia, leve e deliciosamente pesada. me encantou!

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  3. Bela poesia. Assim como é belo o seu blog. Aparecerei mais vezes aqui, G.

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  4. Sem palavras para descrever o quanto essa poesia me emocionou. Toda essa liberdade na forma dos versos e essas palavras usadas são extraordinárias.

    Adorei a maneira como você construiu toda a poesia para, em um único verso, finalizá-la tão simples e emocionalmente.

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