domingo, 27 de janeiro de 2019

Solstícil

será possível pois explicar que minha ausência de palavras ser-me-á melhor do que um parágrafo inteiro
imagino-te sol a margem e as flores no cabelo, teus passos ocos, ao taco o boteco vazio na quarta
imagino tantas coisas que a mim seria melhor descrevê-las enquanto vivo em silêncio
esse sagrado silêncio que me leva ao ócio e ao profano
o mundo espera pra te assistir

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Minas não há mais, e agora?

torraram toda terra
vale amargo
o mar não está para peixe
pois a lama cobriu até a boca
a maré subiu e a imuncie
das pessoas
a toa
parece que a festa acabou
fugir para onde?
e agora, José?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Livraria

acho que a flexa está apontada para mim
ouvia que teria de sair do mundo de Alice
apontando pra mim
e mal pude dizer do meu mundo
e do labirinto no qual entrei
o mundo é gostoso
e sei que amo sua pele
tão gostoso viver
esse mundo é tão gostoso
que entro mais um pouco
enquanto isso transitava entre os livros
um cheiro gostoso qual seu nome?

domingo, 20 de janeiro de 2019

Sol

penso qual maior literatura para que possa dizer do meu dia. sei agora do poema e das pessoas que sentem calor. vejo agora o início da noite e lembro das cores, quero pintar as cores. é lindo como a natureza sabe de si, de saber do rock e das vozes. gosto de ler poesia toda noite, os poetas...
gosto de ler romances e talvez porque os olhos, céus os olhos...
fico a dizer um pouquinho, esqueço porquê e tudo bem, vamos tudo bem
gosto dos boatos de Sol
gostei do teu poema, espero que faça

sábado, 19 de janeiro de 2019

estou sobria
boa parte do tempo
tenho de dizer isso
para que acreditem
nas minhas palavras
sóbria e vivída
para que acreditem
que olho o mundo
com a pureza de quando desvendei
os olhos
estou sóbria
como uma criança
que chora por leite
e uma cabra por tetas
tão sobria
que decido
abandonar a sanidade
no leito da cama
e decido dormir
para que acreditem
que descanso
nos ombros de uma pomba
na sombra do frescor
das noites abafadas
de um verão carioca
decido o fim do poema
por sobriedade apenas

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Tua

gostaria de saber se você gostaria se desenhasse o teu rosto e te escrevesse poesia e cantasse pensando em você e fizesse bolo pro teu gosto e fosse aos lugares que gostasse e assistisse tua voz contando uma história
é tua eu diria
toda sua

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

sedosa

tem horas que é hora de parar
dizia isso enquanto procurava a seda
dava uma volta na cama
apalpava ao redor e sentiu a própria polpa
sorriu macia como não se sentia 
e apalpava ao redor de si mesma procurando a si
depois pegara um copo e meio cheia decidiu mijar
a porta que range, o chinelo que range, o rangir do papel
tem muito silêncio aqui de onde vens
ainda procura alguma coisa nem lembra ainda procura mas nem lembra ainda procura mas

domingo, 6 de janeiro de 2019

sobre as delicadezas

sempre preferi ser delicada
ouvir atenta os sons
os passos esses são os que mais se apressam e continuo delicada
por tanta delicadeza surtiu teu sorriso nas pedras
é bem verdade que tive de trilhar alguns caminhos
mas não me sinto perdida
o sentimento é outro

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

poeta

tu se acha bonito
poeta
sensível
e está certo

e se não fossem as dúvidas
impostas aos teus atos
seria mais leve teu cisco

antes de olhar
feito se buscasse avesso
feito se não fosse o bastante

fita o distante
feito se buscasse destino
bem afrente dos olhos

são nesses instantes
que talvez
acredite
na tua poesia

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

vivo

por escadas sem degraus trilhavamos de pés descalços certamente por estarmos vivos. gozavamos de mais 20 anos pela frente , comíamos demais, bebiamos demais, fumavamos demais. era de certo imprecisos os 20 anos a mais mas eramos tão vivos, a gente gozava dessa vida de um jeito tão vivo, no fundo a gente não sabia de nada mas continuavamos vivos.

Os fogos de artifício

não foram feito pedidos mas os fogos ensaiavam o fim do mundo, saimos de uma hora para outra da festa, ainda estalavam nos ouvidos aquelas luzes e o buraco negro, sentia euforia através de arrotos, ao reflexo do vidro o vestido dançava mais do que eu, essa é a graça, toda - respondo. não haveria tempo de ir até a outra cobertura que nos saldava presença, todos andavam apressados ao redor. o vestido ainda dançava agora ao reflexo do corpo, o estômago rói e a bebida continua descendo, apressados, dias e dias desses 365, mas parece que a gente não contou.