café e dores

café e dores

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Meu chá é de hortelã

Há manchas de batom, chá e caneta por todos os lados. Há pedaços de papéis e amor voando pelos ares com esse vento de inverno desnorteado. Escrever-te me arrepia mais do que sair de casa semi-nua no meio fio da rua, mas não quero me recusar a dar-te um nome. Por acaso você já reparou nas coisas lindas que os homens me dizem?
Nós não daríamos certo porque você não leu as minhas prosas, os meus anúncios, as cartas que deixei abandonadas no quintal da sua casa. Nunca seriamos porque eu preciso de um amor que me cante no domingo e me leia nos dias chatos e escreva poesias comigo no feriado. Preciso de um romance que asfixie o meu sujeito porque estou cansada de estar tão exposta, você não nota?
Não se dá conta que choveu e necessito que você se molhe para esclarecer que minha tempestade não foi em vão? Quero ver sua doença escorrer pelo meu rosto recitando um amor paranóico. A tempestade já cessou.
Você não nota que preciso compor músicas sobre uma obsessão?
Assim tão morno até meu chá é mais interessante...
Assim tão sóbrio você não merece um nome próprio

7 comentários:

  1. Bom dia Gyzelle,
    Este texto extravasa força. Bom de ler e sentir.
    bj


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  2. Admiro o ritmo de suas passagens, a harmonia entre palavras e sons distantes, em meio ao turbilhão de imagens que se passa, num piscar de olhos.
    Mas confesso que há algumas "quebras" de "ar" no texto que me deixariam desencantado, se não houvesse, logo em seguida, um cenário do qual não se desvia os olhos.
    Esteja bem, Gyz---

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  3. Carmem, bom é seu comentário, meu bem.
    Anônimo, eu gosto dessas quebras, é um gosto mais particular... Sempre apareça, sua opinião é muito válida e agradável

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  4. Tão essencial este poema, que faz a gente querer ser parte. Lendo e relendo eu me distribuo no tempo, porque esse tempo é você quem faz.
    Saudações,
    Ney de Borba

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  5. Toda essa paixão descompensada, melancólica, virulenta e, por vezes, insana que você despeja por aqui sempre me faz pensar no que as pessoas com quem eu cruzo no cotidiano escondem só para si!!

    Feliz meio de semana...

    ;)

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  6. Ah, eu sempre fico sem saber o que dizer...
    Já venho te ler com a agenda aberta, para roubar todas suas palavras pra mim.

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  7. "Não se dá conta que choveu e necessito que você se molhe para esclarecer que minha tempestade não foi em vão?" *----------------* Que lindo!

    Bela arte :3

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