segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

poema sem data

Você me ligou querendo voltar
como se fosse simples encontrar retorno
fomos longe demais
você compra uma garrafa de whisky
e chama a garota mais legal da lista
A coloca ao lado da cama
e acorda como se nada tivesse acontecido
pega o celular e escreve
"onde você está"
enquanto está no banheiro
Você está arruinando tudo
e desce para comprar cigarro
volta querendo outro trago
você me transgride com palavras
segunda é solidão
diriam os poetas
As vezes volto pro mesmo lugar
ligando as distrações
você me desliga até dos dias

você prefere as melhores coisas
Os melhores discos e as conversas
Que só a luz vai te encontrar
Todos os filmes e os goles
Você merece os dias mais bonitos
As poesias em seu nome
As cores as comidas
Você pode ir sozinho
Que só a luz vai te encontrar
Todos os mimos e elogios
Você alcança as glórias
Sozinha e acompanhada
Pode seguir comigo se quiser
Mas pode ir sozinha
Que só a luz vai te tocar

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Cambio

Cambio.
Cambio.
“Entende que se o amor não nos guiar iremos através de uma grande tragédia ?
- Mas achava que o amor guiava as tragédias !”
Achava que feijão não dava gazes ate meu cachorro inflar e ter de comprar luftal de madrugada
Reveja os contextos e reconheça que o amor nos tem salvado
Seja do tédio da ordem do homem
Cambio.
Mas você sabe o que é o amor?
Cambio
“Evinha me perguntou isso durante uma roda em sala de Cristo e eu recitei um poema
Eu sou amor
E não me sei por inteira”
Parece prepotente mas por muito tempo queria me sentir a dor por fora amor e naquele processo de auto-flagelo-sabotagem eu me sangrava pra revisar a textura do amor que me corria, não è a toa que fodasabotage era meu nome em GC. Mas parei com os jogos.
Câmbio
Como é ser tola quando se odeia
Tanto amor
Sabe
O amor é o que nos trará de enviar os tratados de paz no bico de um pombo
Porque é tudo o que nos é sem sangue nas mãos apenas dedos afagos 
Assim como a primavera acreditando nas flores e o rio descendo a ladeira
Parece bobagem dizer assim tão natural
Mas se o amor não nos levar
Câmbio
Não podemos desistir 
Cambio
O amor,
Meu deus

Pensando um pouco

na vida,

tive vontade de correr

até os pés desistirem.

Quando o medo atinge o cérebro

o estágio final é quando o corpo

não consegue responder.

Meu corpo age de modo amedrontado

como vi um rato correr das pernas.

Pilhas de livros e de cotonetes,

tenho quebrado os copos,

assumi a cozinha.

Ganhei 6 quilos

A verdade é que cheiro de cebola

não sai do corpo até evaporar.

É bonito a cidade dos ângulos

que descobri,

o rio é muito fluído

e talvez o reflexo dos blocos

esteja espelhado nas poças de mijo.

É muito samba e alegria e tristeza aguda.

O mais difícil é findar o dia sem brindar

mas a gente faz festa por tudo.

Eu tô buscando definição pra beleza

que sinto respirar esse ar

tão rarefeito.

Desligo as luzes da casa,

afetiva.

Ainda lembro das aulas de história

buscando a glória que nos foi explorada,

mas o medo acende uma chama inegável,

ciente de que dormi boa parte do tempo

Resta um pouco de seriedade

na razão de estar vivo

a natureza afoita

como corre o rato perdido

o corpo socado no canto do mundo


depois de todos os descuidos

meu corpo ainda diz que me ama.

talvez por pedir desculpas por tudo

fui assumindo as culpas

já me era incapaz de assumir

que as dores do mundo não são minhas.

quando mal procuro escrever

como absolvição

em qualquer canto do mundo,

quis escrever a pai que todo cuidado

é pouco e

à mãe que todo amor do mundo

é pouco,

eles sabem

a culpa não é nossa,

mas unimos nossas mãos como culpados.

o sentimento na palma das mãos, culpados.

è talvez por isso que recebo castigo divino,

por carinho.

como Clarice, escrevo para salvar

talvez a mim mesma.

minha esperança chora devagar

junto ao céu.

como me dói o soco do mar.

Como me é profundo mergulhar.

a infância tranquila no corpo

fé e absolvição

somos cúmplices

desses carinhos

que são dados com os punhos das mãos.

Os Deuses enviados

Os deuses são bondosos comigo

Me ofereceram as uvas e o álcool

O açúcar da cana e o sal do mar

Me deram um sorriso prostrado

A cada vulto ao suor dos passos

E eu danço com paz no espírito

Arrasto os pés e sigo

Junto aos deuses bondosos

Ultrapasso os faróis e escrevo poesia

Porque me deram olhos singelos

E as cores todos os dias

Bebo e fumo na mesa com os deuses

Almoço e durmo

Me deram livros que me salvaram

Da morte na paixão

Os deuses são bons comigo

Fazemos feira e pagamos as dívidas

Dessa cobrança infinda

Eu gosto dos deuses

Eles me acreditam

Eu acredito neles

O quanto são bons comigo

Reviro

Iniciei a vida do lado oposto

Como se a pele virada pra dentro

Sucumbisse meu corpo

Em direção ao mundo

Mas de alguma forma o mundo

Ressoa e me retém

Em segredo dormimos

De acordo com as horas

Das cores no infinito

Me reviro

O mundo mexe comigo

beija-me muito

se te contentas com o sol

cortamos mangas maduras

e melodias improvisadas

uivamos o disco do dia

porque é simples contigo

correr a janela ver mais um dia

simples como o sol

ou estrelar um ovo

por mais que não tenhamos dormido

a manha surge conosco na janela

debruçando sobre a melodia

reproduzida os corpos amanhecidos

estrelas amarelas

e nuvens queimadas

parece simples acordar todo dia

e descansar no vidro morno

o sonho quente

manga cortada na geladeira

podemos tomar café

está no fogo a agua

quente o corpo banhado

agua quente

faz muito som o sol

chamuscando o corpo

a língua queimada vermelha

a manga amarela na boca

se te contentas com a luz do sol

beija-me inteira

sábado, 17 de fevereiro de 2018

sujeito composto

anotei sobre a saudade
você dizendo não sente sozinho
há sempre o plural
de sempre há qualquer coisa
a mais
sejam aqueles amassos
aos caminhos
as voltas de carros
e chegar ate à casa
driblar o gatinho
saudade não sente sozinho
voltar
à luz da manhã
querendo ficar
mais e mais um pouquinho
saudades
os dois no ninho
cantando qualquer coisa
e o baião de dois
de par em par
pé do ouvido


domingo, 11 de fevereiro de 2018

Brilho

Poderia escrever o tempo todo
Só que é preciso um motivo?

Alguém um dia me contou das estrelas
e olhei pro céu e alcancei o teu coração brilhante

É verdade que escreveria todo dia
Sobre essa luz embrasante

Podemos contar histórias de nossos ídolos
e formas de fazer um bolo

Mas é tão simples
Que posso escrever todos os dias

Em qualquer lugar
Que esteja essa luz

Canto sobre as estrelas até
Alguém alcançar

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Inferno

Vai mais um litão querida,

Vamos nos cumprimentar eu sou daqui e você vem sempre aqui?

Sim e você ?

Céu ou inferno?

Era céu mas oh meu Deus você dizendo fudeu foi foda

Temos uma vida inteira pela frente, ouvir Raimundos, andar pelados in Rio, croissant e pegar busão pra voltar

Subir la em cima e te encontrar na varanda

Foi num show do Caetano que um amigo seu quis mandar no repertório, a gente tá fudido, até a cachorra faz de conta que nada aconteceu

Mas subir la em cima

É foda

Te encontrar

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Por nós a poesia que assino e recito assumindo a indiscrição de ser instinto por todos o motivo

Não é sobre mim quando digo
Que o amor é a malícia dos fortes
E a fraqueza dos nobres

Quando rouca insisto gritar
É mais do que minha voz
Testando o silêncio incompreensível

Guardo recordação que não só minhas
Ilustram paisagens da memória fresca
Desbotadas pelo trânsito do tempo

É quando o sol raia sorrindo
Que o sorriso não é só o meu
Debruçado na estação de calor

Mas como é frio quando amor
Não só por mim a estremecer
É onda de senti-lo ser

Balé das asas

Me disse que eu seria bailarina

Era teu sonho

Mas teus pés não podiam

Eram tortos

Os caminhos seguiram assim

Se por Deus enviada

Há de ter resposta quando se busca
Eu fiz uma tempestade
Parecendo o inicio de chuvisco
Num dia cinza de verão
Ouvia a rádio tranquila da cidade
Não me parecia absurdo existir
As ruas existiam e nos conduzimos
Falei novamente de amor
Acreditando em cada palavra
E predia o peito prestes a uma emoção
Que não tardava a correr
Por nossos corpos
O dia seguia
E a tempestade pancadas
De chuva víamos o cinza
Embaçando os olhos
Meu Deus
Teus olhos banhados

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

eternamente


teu sorriso terno
evocado pela linguagem
- me revela
segredos que antes
fora preciso abrir trancas,
nunca tinha gostado tanto
de ouvir falar crônica
um amor silêncio
rangendo a boca voz
simples de adoração
foi só tua boca que revelou
palavras encolhidas
na superfície das línguas
um gostar
que sequer esperávamos
apesar de alienados
pelo amor desprevenido
tua boca abre como quem salva
de um náufrago mil corpos
só com a respiração
Amarelado teu rosto
parece que o sol
pintou teu rosto
profano amor disperso
não pense mal das ilusões
sequer esculpidas as muralhas,
coração fragmentado
o corpo e a matéria-
será preciso correr da cidade
até um buraco no chão
parecerá seguro
afastado da multidão
a multidão assustada
ao encontrar teu rosto
perdido da multidão
seguro entre os dedos da mão
parece que só sobrou
coração
batendo
parece que há um portal
parece ainda
que ninguém morreu
entre você
e eu
ouço tua voz

domingo, 4 de fevereiro de 2018

notícia de papel

feito recordações
que parecem retiradas
dum relato do jornal
o caso é
acreditar, amor
que visto paira sob o corpo

escrevi poema como quem viveu
mesmo o amor vestido
pro jantar
despido as roupas
sento a mesa fria
abro o apetite satisfeito
por mais uma noite

mais um poema
comido
retorno a cama
Incapaz de dormir
sem que tenha sonhado