café e dores

café e dores

sábado, 12 de julho de 2014

Temo que ele leia essa poesia

Temo que ele volte no meio da madrugada
Não porque a rua marginalizaria seu corpo desleixado
Mas porque temo que durma em mim
Durante mais outras noites cruciantes

Temo seus músculos contraindo-me junto à saudade
Esfolando o meu orgulho
Despedaçando o amor que auto-construí

Já não entendo porque te(a)mo idolatrar ainda mais aqueles olhos
Acastanhados e simplórios
Envoltos por uma magia sórdida
Que o deixa com olheiras absolutas

Não me encaixo no meu medo surrupiado
De ouvir os discos antiquados no volume máximo
De reler os livros de Drummond
E cismar que cada personagem carrega o nome dele

Sou composta por batons borrados e temores que me aprisionam
Ora, se me borrei foi porque sua boca não me acerta
Não mais suporto a espera
E confesso por intermédio de rimas incrédulas:

Eu diria sim
Sem temer nosso mais do que esperado fim

6 comentários:

  1. Um texto cheio de passagens violentas.
    Admiro quando usas essa força.

    Iza

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  2. Uau, muito bom, parabéns pela escrita!

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  3. Cada verso esconde vários significados, inúmeros sentimentos...

    "Sou composta por batons borrados e temores que me escravizam"

    Pois é, somos escravos dos nossos medos, assim como somos escravos dos nossos sentimentos...

    http://omundoemcenas.blogspot.com.br/

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  4. Seus livros podem até estar meio esquecidos, mas com certeza você tá sabendo usar muito bem as palavras e sentidos que leu neles!!!

    ;)

    Feliz semana!

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  5. Amor singular é paixão, se teve amor por sua parte, houve reciprocidade, de alguma forma, em alguma palavra, chocolate, flor (assim eu imagino). Se ele voltar, que volte em chamas e não seja tão veloz.

    Abraços

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  6. Diferente de você, eu não temo que ele leia essa poesia, pois é incrivelmente bem escrita e completamente profunda. Adorei cada palavra, cada verso e cada significado.

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