café e dores

café e dores

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Retrato

Olhos tristes
mostram a saudade de mãe
gerou filhos e os cuidou
quando ela que precisava de cuidados

Um vestido longo de brechó
cobre gentilmente o corpo
e o corpo dessa mãe já velha
esconde um coração novo,
de criança afobada

Ela sorri e as nuvens
desaguam felicidade,
as curvas de rugas são os caminhos
traçados por ela,
chove saudade de mãe

Onde ficou perdida tua paz, mulher?

Com os pés cansados
se levanta antes da luz flertar o céu
as mãos enrugadas são retrato de um
destino fatigoso, que suga pouco-a-pouco
as forças dessa mulher incansável
ela precisa de repouso: amor


Desenhando pôr-do-sol

Foi preciso poesia pra ficar inerte
de um vazio que parece fome,
e foi bastante até cansar poeta

Precisou de flores pra fazer perfume
em uma cidade cor-de-prata,
pouco rica

Com páprica e torta de maçã o que era amargo
virou beija-flor, sedento e eufórico
docinho, para suportar um pôr-do-sol sem chorar
(pois o choro vinha salgado)

E com arte moldou-se um abraço calejado
se desenhando e dançando por entre dedos finos
com bolhas de tantas tentativas frustadas de forjar amor
(o amor existiu porém não dura mais que horas)

Quem não sabe fazer arte desiste
vivendo só de esmola