café e dores

café e dores

domingo, 28 de agosto de 2016

sentir é inundar um barco que navega em pleno mar pacífico

cristais sob as águas
é um caminho distante e viela
cheia de lixo muvuca de gente
suruba de fome enquanto indigestão
vapor azulado
penso e o coração em pacto
de frente pra colisão
é um fluxo quase convulso
palavras marchando por mãos
só naufrágio estrela em fuga

seguir meu coração?


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Linha 4

na solidão transacionar a rádio
portas encostadas sem trancas
compor melodia no violão
não é discurso sóbrio quanto às noites
de um esquecimento póstumo
embora seja o fator principal
as praças convergem
em nós
d e s c o n h e c e r m o s

ouso tocar só no flagelo sentimento
que inflama incubado
em nós
e preza pelo zelo das mãos
é que tristeza tem nome, face e endereço
contudo se manifesta indiferente
sofrendo aborto simultâneo
em campo infértil onde paira o sol

é que tristeza me faz companhia
mas me sinto só

terça-feira, 2 de agosto de 2016

me cubro de palavras como os lençóis os dedos

é preciso silêncio ao escrever ou que seja estar sozinha talvez a busca anteceda o início do parágrafo seguinte próxima linha

não há enredo mas calço meias longas

encosto as abas da janela e pronta preparo café da madrugada como anfitriã da insônia que carece do corpo cansado

ora se não houve descaso pela ausência nos conservo lúcida quanto à imprecisão das formas então retorno ao papel de figurante na vida do outro e o outro eu nós assim desconhecidos 
embutidos em narração

mais uma vez deito embrulho os pés 
e quase livre de culpa 
ensaio 

solidão