café e dores

café e dores

domingo, 21 de maio de 2017

atravessar fronteiras até teus lábios


quando teu fogo 
acende as ruas 
dos leões 
as cores 
parece aquarela, 
monumento antiquado, 
mas quando o rio destoa
é pelo teu nome 
que o trânsito 
permite alcance 
entre municípios 

quando arrasta 
os dedos a roçar 
o chinelo no asfalto 
é feito pisada 
no corpo rijo
o sentido a querer 
assumir teu colo
em solidão 

quando a luz 
transtornada corta 
o discurso ensandecido 
é que se revela a paz 
retratada no
sorriso calma 

queria socorrer 
teu corpo inteiro, 
indiscreta, 
egoísta por amar 
teus planos, 
beijar teus defeitos 
assim como 
desejo insaciável 
descobrir teus muros 


quinta-feira, 18 de maio de 2017

À busca

Devia provar gosto de choro macio caído lânguido simples ao tocar na artéria, Essa estagnação diria ser discrição ausência de estímulo 


Talvez deva suturar as marcas pisadas antes de partir à trilha, Horário de saída, Basta creia não passar desapercebida tão pouco pela brisa insólita a desistir das banalizações


E que infira fúria boca e voz à fora enquanto há e no embalo surgir vontade de transitar que seja 



Foi o paladar da noite entrando e a saída prescrita finais 

Nós sabíamos dos históricos de homens partidos, enfim as cores


Me fala da proteção abaixo do céu e inventa abismos por onde enfiar transtornos 

E estamos, bem o sabe, quem dera chegar aos contornos 

Cientes de abalos inevitáveis, revisitaríamos cobertores que só tocam a superfície mais firme do espírito, nós existimos tanto chega a duvida. 

Deixa os argumentos pra quando a fala estiver segura, a saúde cura, não ouço teu sorriso, revivo a fim de nos encontrar 


Temo desencontrar seu fôlego, as fases do seu sono, mas permaneceremos instantes enquanto o dia pacato anunciar os rostos contorcidos 


domingo, 14 de maio de 2017

banais p. 1

hoje não li

nem ouvi um disco 

transei 

saí


no entanto sento 

no canto da cama

pra escrever poesia

como discreto desvio

das rotinas intermináveis 


apontando sutilezas

ao lado de fora

como quem

sabe o samba 

pernas imóveis 

nem troquei a calcinha 

ajeitei o jantar

de fome indefinida


poesia 

infinda 


hoje sentada

a escrever o que 

a boca é incapaz

de traduzir

as palavras inteiras

acessíveis de fugir 


então escrevo

pra aliviar

desassossego 

do silêncio paralisia 


se fico sentada

olhando pro nada

sou capaz de sumir


registro 

aqui 

hoje o dia

foi tão rápido

mal o vi 




domingo, 7 de maio de 2017

paraíso

delicado é olhar seu rosto 
poderia descrever  
singularidade arcaica 
Que te compõe 
só com um toque 
sutil da memória. 

se é frio ou queimo 
no suposto instinto 
de correr nua arregaçada 
te olhando como nunca pude
temerosa por devida selvageria 
que te chama aos berros 
em silêncio rigoroso,
diria ser loucura. 

as vértebras das costas 
no aguardo que o tempo voe 
me convidam pra deitar seu corpo, 
esqueço que existimos. 

assim revivo e somos
nós deitadas uma cama cumprida,
as roupas fora do corpo secando. 

Assim o tempo vaga 
e assim o sossego 
acompanha alvorecer 
de um sorriso no meio da noite
Bem ali no centro da minha 
insônia você sorrindo. 

o fim se fundindo, lembro de 
alcançar seu joelho com carinho, 
foi o tempo, alguma culpa 
a gente carrega, a vida, 
tem uma espécie 
de angústia que agarra 
o corpo 
navalha nas mãos. 

parece que você nasceu de uma erva. 

terça-feira, 2 de maio de 2017

parte da liberdade é abrir os braços e segurar o corpo inteiro

sobrevoando displicentes 
mãos são passarinhos 
se fosse ninho a redoma 
de amor e cristal
berraria sobre a pureza 
estreita de governar teu rumo 

decolar em praia desolada
por amor tão livre 
tudo transparente 
as águas batendo nos pés 
o som que viria do movimento
que os corpos reproduzem
em êxtase no verão 

logo o resgate levaria 
os corpos afobados 
navegando em mar aberto
tão imensidão a paz 
dos piratas a nos roubar
as vergonhas todas 

em mergulho resistiríamos 
ressaca dos Monstros noturnos
Salgado choro dos botos 
tragédias dos Deuses marítimos 

transitaríamos na onda
restante da areia abraçando 
os corpos afogados 
as palmas soando
tamanha paz 
que ecoa