café e dores

café e dores

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Vou te contar sobre como em sonho, um guri franzino sorriu sem os dentes, a fim de nos aproximar, fez-se dois passos discretos. A explosão acendeu na aurora, a observação passou do horário enquanto pensava em descrever a borboleta azul. Sempre achei as borboletas muito livres mas as azuis vem do céu num pouso leve destinadas ao paraíso. Nos olhamos um olhar descrito nas passagens que eterno diria existir fogo fome do buraco imensurável. Tocamos borboletas azuladas, todas azuis, reverberavam as vozes das asas azuis. O céu parecia existir mais próximo. Tudo poderia dormir diante daquele azul fobia. Dormitei mais uma vez em sonho, no colo do menino sorriso. 

domingo, 21 de maio de 2017

atravessar fronteiras até teus lábios


quando teu fogo 
acende as ruas 
dos leões 
as cores 
parece aquarela, 
monumento antiquado, 
mas quando o rio destoa
é pelo teu nome 
que o trânsito 
permite alcance 
entre municípios 

quando arrasta 
os dedos a roçar 
o chinelo no asfalto 
é feito pisada 
no corpo rijo
o sentido a querer 
assumir teu colo
em solidão 

quando a luz 
transtornada corta 
o discurso ensandecido 
é que se revela a paz 
retratada no
sorriso calma 

queria socorrer 
teu corpo inteiro, 
indiscreta, 
egoísta por amar 
teus planos, 
beijar teus defeitos 
assim como 
desejo insaciável 
descobrir teus muros 


quinta-feira, 18 de maio de 2017

À busca

Devia provar
gosto de choro
macio
caído
lânguido
simples ao tocar na artéria,
Essa estagnação diria ser discrição
ausência de estímulo

Talvez deva suturar as marcas pisadas
antes de partir à trilha,
Horário de saída,
Basta creia não passar desapercebida
tão pouco pela brisa insólita a desistir das banalizações

E que infira
fúria
boca
e voz à fora
enquanto há
e no embalo surgir
vontade de transitar
que seja
Foi o paladar da noite entrando
e a saída prescrita finais
Nós sabíamos dos históricos de homens partidos, 
enfim as cores

Me fala da proteção abaixo do céu 
e inventa abismos por onde enfiar transtornos
E estamos, bem o sabe, 
quem dera chegar aos contornos 

Cientes de abalos inevitáveis,
revisitaríamos cobertores que só tocam a superfície 
mais firme do espírito, 
nós existimos tanto chega a duvida.

Deixa os argumentos pra quando a fala estiver segura, 
daqui não ouço teu sorriso, 
revivo a fim de nos encontrar

Temo desencontrar seu fôlego, 
as fases do seu sono, 
mas permaneceremos instantes 
enquanto o dia pacato anunciar os rostos contorcidos

domingo, 14 de maio de 2017

banais p. 1

hoje não li
nem ouvi um disco 
transei 
saí

no entanto sento 
no canto da cama
pra escrever poesia
como discreto desvio
das rotinas intermináveis 

apontando sutilezas
ao lado de fora
como quem
sabe o samba 
pernas imóveis 
nem troquei a calcinha 
ajeitei o jantar
de fome indefinida

hoje sentada
a escrever o que 
a boca é incapaz
de traduzir
as palavras inteiras
acessíveis de fugir 

então escrevo
pra aliviar
desassossego 
do silêncio paralisia 

se fico sentada
olhando pro nada
sou capaz de sumir

registro 
aqui 
hoje o dia
foi tão rápido
mal o vi 

domingo, 7 de maio de 2017

paraíso

delicado é olhar seu rosto 
poderia descrever
a singularidade arcaica
Que te compõe
só com um toque
sutil da memória.

se é frio ou queimo
no suposto instinto
de correr nua arregaçada
te olhando como nunca pude
temerosa por devida selvageria
que te chama aos berros
em silêncio rigoroso,
diria ser loucura.

as vértebras das costas
no aguardo que o tempo voe
me convidam pra deitar seu corpo,
esqueço que existimos.

assim revivo e somos
nós deitadas uma cama cumprida,
as roupas fora do corpo secando.

Assim o tempo vaga
e assim o sossego
acompanha alvorecer
de um sorriso no meio da noite
Bem ali no centro da minha
insônia você sorrindo.

o fim se fundindo, lembro de
alcançar seu joelho com carinho,
foi o tempo, alguma culpa
a gente carrega, a vida,
tem uma espécie
de angústia que agarra
o corpo
navalha nas mãos.

parece que você nasceu de uma erva.

terça-feira, 2 de maio de 2017

parte da liberdade é abrir os braços e segurar o corpo inteiro

sobrevoando displicentes
mãos são passarinhos
se fosse ninho a redoma
de amor e cristal
berraria sobre a pureza
estreita de governar teu rumo

decolar em praia desolada
por amor tão livre
tudo transparente
as águas batendo nos pés
o som que viria do movimento
que os corpos reproduzem
em êxtase no verão

logo o resgate levaria
os corpos afobados
navegando em mar aberto
tão imensidão a paz
dos piratas a nos roubar
as vergonhas todas

em mergulho resistiríamos
ressaca dos Monstros noturnos
Salgado choro dos botos
tragédias dos Deuses marítimos

transitaríamos na onda
restante da areia abraçando
os corpos afogados
as palmas soando
tamanha paz
que ecoa