café e dores

café e dores

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Meu corpo é um esconderijo

58. Descreva uma pessoa que você vê todos os dias 

Toda vez que acordo me debato com ela
me afogando de volta para os sonhos
porque ter que viver
é o que chamamos de pesadelo
e isso não nos desce pela goela

Nossa batalha matinal só acaba
depois que troco a roupa da alma,
aquela gasta pelo dia a dia
Que me pesa no corpo

O coração dela é tão negro quanto a própria íris.
Ela encara o abismo íntimo, os rasgos no passado,
e chora como veio ao mundo: sem querer

Nua ela dança e me convida, me paralisa e equaliza.
Como ela é bonita! Não falo da beleza que seca como uva,
refiro-me à essência que a canoniza

Todo dia ela me encanta com a mortandade
das folhas do outono eterno
refletido pelas suas poesias
que me desenham

Toda noite solitária ela me mostra a Lua
e me canta uma canção de dor
Quando olho no espelho
quase não acredito que a vejo
Curando as próprias feridas 
Ela está em mim 
escondida

5 comentários:

  1. Não tinha pensado nessa possibilidade, mas pode ser... A interpretação de cada um é aquela que vale.

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  2. Tu é mesmo um privilégio. Cada verso teu é uma constante de prazeres e alegrias, você me faz bem e faz muito bem a poesia.
    Saúdo tuas criações, muito obrigado.

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  3. Boa tarde Gyzelle... nosso corpo é um esconderijo o qual temos que dosar e vasculhar aos poucos.. somos um emaranhando de emoções, sentimentos.. tudo muito bem cravado dentro do nosso interior..
    as vezes abrimos uma pequena janela interior e temos medo de olhar dentro.. imagina se o todo fosse aberto..
    quem sabe com o tempo e com nossa consciência..
    abraços e até sempre

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  4. Amo a maneira como tu descreve seus personagens, mesmo sem dar nomes ao mesmos. Tua melancolia também é minha.

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