café e dores

café e dores

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Fases incontáveis de uma loucura

Assino impávida em todas as cartas amassadas minha insanidade
com letras que você julga ilegíveis mas são códigos
para adentrar na minha gruta de obsessões e falácias
tão ricas de lirimos e carentes de realismo

Vão dizer que minha paranóia é culpa dos signos
desde um parto prematuro levo no sangue e na matéria
o escorpião a me envenenar a sorte, a tontear os homens
que se apoderam de lascívia ao saber que tenho esse zodíaco quente
mas desconhecem o meu ascendente

Aceito as minhas lástimas com gosto de vinho tinto nos lábios
só para fazer jus a toda astrologia que corre pelas veias
e artérias que me bombeiam forte o coração malicioso
que toca um ritmo vicioso

Sou esse verso sem romantismo que você lê estampado nos postes
e por meus viadutos passaram ilusões tão rudes
que me vesti de mulher madura
só para enfrentar violentamente a rua
enquanto grito forçando os pulmões doentes que não sou sua

Eu sou da Lua que é sujeita a frases intermináveis
de fases incontáveis
e amores incansáveis

Vê como isso soa tão dolorosamente poético?

4 comentários:

  1. O seu ritmo de raciocínio que compõe o ritmo da escrita é muito bom, nos dá uma leitura fluída e não desgastante, começa-se a ler uma estrofe e logo já se está no fim de outra, não por falta de conteúdo, mas, por prazer em percorrer os versos, por falta de perceber o tempo. Isso é bom, muito bom. Parabéns.

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  2. Ah Gyzelle, suas palavras parecem dançar em mim. E de uma maneira forte , profunda . Muito bom.

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  3. Isso soa tão dolorosamente lindo. Sempre.

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  4. Abri uma garrafa de vinho para brindar ao teu poema e à você, que o Universo cuide sempre de ti que nos dá o bom de ti e à nós que bebemos da tua generosidade poética.
    Um brinde ! Beijo em tuas mãos minha alegria, saudações
    Ney.

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