terça-feira, 30 de outubro de 2018

acalmante

fico a espreita de um poema
de tua publicação,
sei que os rumos desse país
tem nos deixado orfãos
desamparados
provavelmente teus poemas
estejam ocupados em gritos
urros
inalgurando um novo
sistema ou politicagem,
veja meu bem,
escute pois te digo
só amor e arte estejam
comandando os papéis
nos vejo próximos nesse instante
mas ainda assim quando me vejo
a espreita do mundo
e dos olhos estupefados
tento recorrer aos poemas
e os reli tanto
que soam automáticos
quereria algo inédito assim
como são os teus poemas
agindo sob meu corpo
um antiinflamatorio pois,
acredito que não seja novidade,
estou inflada
é só um processo
de dores internas
me esmagando contra a cama,
e quando abro os olhos
depois de ter dormido dias e dias,
estou a espreita da tua poesia
servindo-me
dizendo
tire-me
dessa anestesia.

domingo, 28 de outubro de 2018

CU

aliso meu cu
e cheiro a pontinha
dos dedos
e sinto um aroma
adocicado 

isso ela me disse
meio tímida
quando me provou
inteiriça
de incertezas
lambuzada 

cu é uma palavra
adequada
às menções
entre-abertas 

acho que amanhã
se não
por acaso
acordar
 
pior será
mesmo
mas será
mesmo?

leio
poema
faço
cocô
olho
meu
rosto
transtornada

os gritos 
de irmão  
irmão 
de ver mãe 
tremendo 
enquanto acende 
um cigarro 
e coloca o fumo 
no cachimbo 
eu acendo 
eu preciso dormir

tem grito lá fora
uma galera armada
decide bater panela
soltando fogos da janela

e decidiram isso
assim como se descobre
um novo paladar
em uma coisa antiga
chamar
de revolta

meu cu!

nós
abraça
iremos

terça-feira, 16 de outubro de 2018

aponta

queimem as suas toras,
nos calece
de vinho
ate o dia raiar

abrindo a boca
engasgando o mundo
da garganta suar

de tanta mania
de assistir
o mundo manifestar

até pode passar
o tempo
lembraremos mais

e falaremos mais
e mais ainda ânsia
o mundo manifestar

onde Mario está?
mas vejo la na frente
o sistema nos comendo

dos vestígios
das sobras
e aí, do nada

há indícios
há de recomeçar

a ponta
dessa estória
o mundo manifestar

domingo, 7 de outubro de 2018

a solidez das palavras

nessas impávadas horas amenas
esquivo-me da politicagem
de
repente
de 4 em 4 horas

talvez por dentro
da casa
a gente se esqueça
do mundo
chovendo e enviando notícias

sei do sangue
estagnado
que corro
que talvez
sejamos memória
e devagar o apagamento
de algumas coisas que achávamos ser

o que nos é
não permanece
somente
em nós 
só se compõe também
quando estamos no outro

dormi durante 2 dias
sozinho
sei não estar
ainda acordo
mais acompanhado
desses pedaços de mundo

sei que nos
encontramos
na rua
fumando um cigarro
a boca cheia de poesia à vapor

as palavras
ouvia
soavam
qualquer banalidade do dia
mas ali não estávamos ausentes
nem um nem outro

e todos
juntos
ao mundo
girando como se gira
de um modo tão ameno quanto
essa noite

descobri que banal
era não estar
sozinho
pensando
entre nós a poesia
ainda somos solidão até nas palavras

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

À

(Ààà)

se por hora estamos
a base de um reprise

(Ààà)

dentro de um enredo
de um filme brasileiro
estamos a cores

(Ààà)

isso sei pois vejo os primas
posso até calcular a dimensão
da íris tocando a boca

(Ààà)

pergunto teu cheiro
e a resposta vejo que trafega
no trago de outro cigarro

(Ààà)

se por conta da ficção
talvez na pior
parte da história 

(Ààà)

feito heróis
possamos nos salvar

(Ààà)

iremos festejar da morte à vida
feito se não existisse espaço
para a cautela do tempo 

(Ààà)

encontro-me
à. teu repertório
puramente coexiste

(Ààà)

assisto mais uma vez
o evaporar das horas

*a a. ao tudo e a 

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Lévi-strass

Nao sei se me esvaziei
Se foi por deslize
Mas quando virou-me nos olhos
E mostrou-se esdrúxulo
Posso descrever teu ritmo e a batida que faz te ouvir
Posso te sentir como miragem ao beber a àgua
Estamos em reprise
Não sei se foi o gosto pelas cartas
Mas gosto de repetir João
E desse gosto deslizando pela boca dizendo de um pedaço do mundo erguido na boca
Foi assim que descobri que o silêncio era mais sensível ao que dizia
E que o sabor da àgua João escorria