segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

aterrar

nossos corações e as borboletas
insanos devastados
desse modo nos vingamos
das movediças cançoes
que nos impunham a dormir
enquanto debatíamos as asas
e as palavras indiscretas
nós implacáveis
pulsando no céu invariável
sedentos de pouso indiferentes à terra

domingo, 17 de fevereiro de 2019

entre o sonho e o doce eu prefiro sua boca recitando o preço do livro

veio à cabeça perguntar
Como vão os poemas
ou algo que te fizesse crer
que há quem aguarde o café quente
e o poema torto
os livros
Ah, os livros você fica retocando
de postura rígida
vergado como uma capa
daqueles grandes livros de pintura
expostos em frente à loja
Assim diria esse título é muito procurado
mas fica recolhido
no vão entre arrumar a bagunça
ou refazer outra
ou entre se deslocar até onde leio os poemas
e se desfazer de invisível
enquanto dá lugar aos perdidos
aqueles livros procurados
pelas massas e pelo pão de cada dia
mais um poema eu vim te ver

partilhar a tua poesia com o mundo

andei lendo tuas poesias e vejo que continua falando de partidas

sei do tempo curto e ainda mais do que está dizendo sei de pouco mais um tanto ou quase nada e se for pra ser que seja o que for que trague mais um pouquinho e deixa deixa o verão raiar tua cuca morna teu salto esplendor teu cabelo involuntário o pigarro teimoso a mania de morder sabe se la os dentes estarão vivos pra contar mas a tua voz há de atravessar quartéis e generais hão de convir o teu discurso tua postura de quem chega e fica mais pra perto pois de longe é mais embaçado teu ronco

no centro hoje o real água gelada coxinha noventa e nove suor agonia debaixo as roupas no rosto seco cantor estagnado cem público no metrô tem muita coisa bonita que se repete em teu poema e a beleza é se tu nota que beleza

entre os sonhos e os livros

nenhum de nós
transita ileso
entre os sonhos
e os livros

a alma
intercalada
entre um copo
e uma boca

enquanto
os olhos
dizeres

e o copo
entre dizer e beber
aguardo notícias
de algum lugar da beira

o vão
entretanto
passageiros
sonâmbulos

repousam
solenes
no vagão da porta
os poemas recitados

nenhum de nós
transita ileso
entre os sonhos
e os livros

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

breve pausa para te escrever um poema inteiriça

não disse que te amo mas sinto amar
quando chega de camisas miseráveis
com pink floyd no volume máximo
quando só chega quem sabe amanhã
de amares tenhamos vivido
perfurando os braços e o cantinho
dos olhos desajustados
deixemos que o amanhã nos sorria
enquanto as notícias deságua a quem
a gente falando de um jeito descansado
aguardando quem sabe a próxima
música ou uma saídera?
é disso de amor que falo

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

broto

me perguntaram porque andara tão triste
e não me sentia tão alegre quanto naquele dia
fazia tempos que andara
de certo alguma coisa andara triste
talvez uma parcela do buraco dentro do olho
um cós puído da calça ou meias altas na Primavera
descobrira a Primavera desde que entendia de flores
elas subiam pelas coisas de um jeito elegante
e desejou ser flor até subir o muro e se jogar
brotou em outro lugar que não podíamos ver
de certo não perguntaram porque andara tão triste
no exato dia em que sentia-se tão alegre quanto aquele

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

embaçada

se te comparo ao verão de 2019
és por certo mais fervida e embaçada
do teu rebanho posso contar as borboletas
que escapavam pela boca espalmada
da brincadeira teu sorriso
e teus nãos consoantes
dessa tempestade um copo de vidro
as mãos encaixadas o céu minguante
do verão posso dizer do suor na boca
de tuas palavras um copo fervido
então sei teu nome que soa
incandescente fogo aturdido
assim as palavras
teu gesto leio feito livro