café e dores

café e dores

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Canteiros

Vieram perguntar se não gosto da vida num dia quente tão morno que respondi sim mesmo não conseguindo sorrir eu acho que aquela pergunta me invadiu mais do que o brilho do sol

Dobrei as mangas da roupa de dias e não pude recuar com palavras nem os passos estava sentada e ergui a voz meu deus como eu queria correr entre as framboesas num mato verdíssimo 

Mas é que o brilhos dos olhos e das manhãs das maçãs tudo bem se chorar de vontade 

Tudo bem se você não está 


http://youtu.be/yxWbSk7yGO0

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Gestos e amarras

Andei por perceber 
que meu amor te incomoda 
Demasiado e ébrio

E se vago na rua a te encontrar
Reprova os passos
feito vãos 
Quaisquer noite 
que não vos pertença 

Notei teu sorriso em sombra 
e tive pavor das intenções 
que mal faziam parte 
do meu repertório 
Assim domesticando os modos 
à parte confortável a nós 

Porém em mim tu fervia 
feito um bule assobiando "nós somos 
feitos de aço" 

Andei por perceber 
Que pertenço primeiro a mim 
Demasiada e ébria 

E os passos 
Assim soltos 
Desfaziam os laços 
Me sinto alegre por sair 

Me sentindo livre por vagar 
Se te encontro 
Não é na rua 
mas na lembrança 

Ainda existe uma faísca 
que chama "existe algo
que condiz com as cruezas 
de se amar" 

sábado, 5 de agosto de 2017

Devia te contar,
Não o vi passar 
dos inseguros passos

No que consta,
Intacto,
Esse passado. 

Dormi exausta, 
No sinal nos olhamos 
Na rua nos assistimos 

Sempre fui de reparar 
As mãos 
Mas passei direto
Quando me acenou

Não trocamos olhares, 
Embora não vi 

Hoje o dia morno 
Desfalece entorno da nuca, 
Deslizo pelas faixas 

Deixo o inverno 
Inventar desculpas
À medida que o pretexto 
Era te ver soar 

Devia te falar, 
Falta 
Repassar, 
Isso sim, 
Antes do dia findar 


Aguardo

Seria tolice
dizer que te escrevo
Mesmo que tente negar
o estômago revirado
Às horas distração
Às horas onde você está

E tal manhã
de nuvem cinza amarelada
surgiu feito uma florzinha
contente espalhando
calor pelo corpo
assim logo
cedinho


Uma breve pausa


pára


o coração



Quis te dizer isso
em segredo
a fim de não soar ultrapassado
revelar tamanho fogo
em público
Mas os segredos
constrangem até
as pupilas dos olhos
quando negamos
não nos ver

Mal tive tempo de decorar
teus planos
mas seria bom 
a cor do meu batom
em lábios
que pra mim
parecem flutuar
E dizer coisas infindas


As vezes acho


que você me machucaria


feito pancada de chuva



Ontem sonhei
com dentes quebrados
Não seria seguro
se dissesse
prever o futuro
(Sussurro)
Me dar conta dos juros
Das malas cheias de vento
Água toda estocada

Lá fora chovendo
Você aqui dentro

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Dia após dia
Eu via a morte 
se vestindo pra mim 
como um estranho conforto 

Cotidianamente
Os raios chegavam 
aos ossos 
feito efeito de calafrio 
que me botavam dúvida 
se o frio sentido 
vinha do inverno no rio 

Fui adulando cicatrizes 
sem temer olhares indignados 
por tamanha petulância 
dos corpos livres 

Era minha sentença sentir 
e me amargava o calor 
dos panos grossos 
das saias cumpridas a encobrir 
vergonhas avermelhadas

Oculta em minhas falhas 
fui decidindo acompanhar 
o cansaço das margaridas 
felizes em suas terras úmidas 

Assim permanecia
Dia após dia 
Regando rastros
Transitando a pé entre
dias mornos 
e febris 

Suando em agonia 
por dias seguintes ao raiar 
a sensibilidade desfilando  
Em praça pública 
o caminhar das estações 

Dia após dia 
Fui lidando com a morte 
feito companhia
Depressiva
como se caminha frente fria 

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Se for para morrer que seja

Se pudesse ser salva, 
Optaria por vulcão encarnado 
Em breve sonho,
Não por motivo de fraqueza 
Desgovernada,
Sinto alcance absoluto 
Por sutileza de abandono

Em restante subiria
Altares e por alívio os pulmões 
Feito discos usados, 
Me rumariam devido 
Envio de sinais restaurados 

Brinde à jornada 
Alardeada pelo suor da vista,
Assim a caminhada surtiria 
Efeito aqueles à busca,
Sem que o saiba,
Faísca 

Assim desejaria, mais um dia,
Mais quente, mais fogo
E todas as histórias,
Acima dos papéis tostados,
Vultos, alardes, Cinzas 
Brevemente engoliriam 
A cor da vida 

Assim quereria estar viva,
Lambida de chamas,
Afoita e fervente,
E deitaria solene 
em pleno ardor,
É por morrer de amor 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

transitivo

pego o caderno
e disparo
contra o efeito
do silêncio
que a multidão invoca

feito como se
no punho
portasse uma arma
uma droga
pra curar a violência
dos medos instantâneos

em curso
os faróis
imunes de sentido
acusam os classificados
me sinto heroína -
certamente
devaneio

nas laterais
do retrovisor
a vida vai correndo
a certos kilômetros
de distância
de algum lugar
que a gente procurou
e acho
que ainda mais
perdidos
mais ilhados

guardo o caderno
e com as mãos
livres feito folhas
de bananeira
dirijo à boca
um sorriso
não há motivo
a paz se instaura