café e dores

café e dores

sábado, 17 de fevereiro de 2018

sujeito composto

anotei sobre a saudade
você dizendo não sente sozinho
há sempre o plural
de sempre há qualquer coisa
a mais
sejam aqueles amassos
aos caminhos
as voltas de carros
e chegar ate à casa
driblar o gatinho
saudade não sente sozinho
voltar
à luz da manhã
querendo ficar
mais e mais um pouquinho
saudades
os dois no ninho
cantando qualquer coisa
e o baião de dois
de par em par
pé do ouvido


domingo, 11 de fevereiro de 2018

Brilho

Poderia escrever o tempo todo
Só que é preciso um motivo?

Alguém um dia me contou das estrelas
e olhei pro céu e alcancei o teu coração brilhante

É verdade que escreveria todo dia
Sobre essa luz embrasante

Podemos contar histórias de nossos ídolos
e formas de fazer um bolo

Mas é tão simples
Que posso escrever todos os dias

Em qualquer lugar
Que esteja essa luz

Canto sobre as estrelas até
Alguém alcançar

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Inferno

Vai mais um litão querida,

Vamos nos cumprimentar eu sou daqui e você vem sempre aqui?

Sim e você ?

Céu ou inferno?

Era céu mas oh meu Deus você dizendo fudeu foi foda

Temos uma vida inteira pela frente, ouvir Raimundos, andar pelados in Rio, croissant e pegar busão pra voltar

Subir la em cima e te encontrar na varanda

Foi num show do Caetano que um amigo seu quis mandar no repertório, a gente tá fudido, até a cachorra faz de conta que nada aconteceu

Mas subir la em cima

É foda

Te encontrar

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Por nós a poesia que assino e recito assumindo a indiscrição de ser instinto por todos o motivo

Não é só sobre mim quando digo
Que o amor é a malícia dos fortes
E a fraqueza dos nobres
Quando rouca insisto gritar
É mais do que minha voz
Testando o silêncio incompreensível
Guardo recordação que não só minhas
Ilustram paisagens da memória fresca
Desbotadas pelo trânsito do tempo
É quando o sol raia sorrindo
Que o sorriso não é só o meu
Debruçado na estação de calor
Mas como é frio quando amor
Não só por mim a estremecer
É onda de energia senti-lo ser

Balé das asas

Me disse que eu seria bailarina

Era teu sonho

Mas teus pés não podiam

Eram tortos

Os caminhos seguiram assim

Se por Deus enviada

Há de ter resposta quando se busca
Eu fiz uma tempestade
Parecendo o inicio de chuvisco
Num dia cinza de verão
Ouvia a rádio tranquila da cidade
Não me parecia absurdo existir
As ruas existiam e nos conduzimos
Falei novamente de amor
Acreditando em cada palavra
E predia o peito prestes a uma emoção
Que não tardava a correr
Por nossos corpos
O dia seguia
E a tempestade pancadas
De chuva víamos o cinza
Embaçando os olhos
Meu Deus
Teus olhos banhados

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

eternamente


teu sorriso terno
evocado pela linguagem
- me revela
segredos que antes
fora preciso abrir trancas,
nunca tinha gostado tanto
de ouvir falar crônica
um amor silêncio
rangendo a boca voz
simples de adoração
foi só tua boca que revelou
palavras encolhidas
na superfície das línguas
um gostar
que sequer esperávamos
apesar de alienados
pelo amor desprevenido
tua boca abre como quem salva
de um náufrago mil corpos
só com a respiração
Amarelado teu rosto
parece que o sol
pintou teu rosto
profano amor disperso
não pense mal das ilusões
sequer esculpidas as muralhas,
coração fragmentado
o corpo e a matéria-
será preciso correr da cidade
até um buraco no chão
parecerá seguro
afastado da multidão
a multidão assustada
ao encontrar teu rosto
perdido da multidão
seguro entre os dedos da mão
parece que só sobrou
coração
batendo
parece que há um portal
parece ainda
que ninguém morreu
entre você
e eu
ouço tua voz