café e dores

café e dores

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Vá minha tristeza

Findo novamente encharcada na cama. Aqui a superfície parece de apoio e as costas flutuantes feito asas. Sinto o peso da liberdade,

mas estou tranquila.

Busco sentido e palavras enquanto escrevo. Estou ouço Fafá de Belém na rádio da TV, vi a batalha dos confeiteiros, uns bolos bonitos na vitrine, dei bolo a todo mundo um pouco sorrindo.

Fumei uns cigarros, de rotina, esfreguei os cabelos nas palmas umas 1000 vezes. Banal, entrei no ônibus duas vezes, na primeira a roleta me prensou e encontrei um companheiro da Livraria e tive timbre pra contar do meu presente? Fixação. Tem coisa que eu não consigo prever, e é isso mesmo…

Mais uma vez eu quetendosabendoporqur

Faz tempo que o tempo passa

Chega de saudade

Girassol da cor da Lua

E agora minha vez

Descobri a parreira da flor de uva

O silêncio do vizinho

Da forma como a fumaça gira

Deixa a gente girar

Mas é que eu tô perguntando

E agora

Escrevendo poemas

Quero dormir

Cor do Girassol Solidão

Sete anos de azar se a gente não brincar, e tenho visto que a cor do Sol tem sido amarelo ensurdecedor, faz dias que queria entrar na palavra e dizer simplesmente de amor

Feito amar a cor do girassol solitário, as razões de amar sem nitidez, mas tem lá no fundo um quê, enquanto a gente compra pai os sonhos passam, a verdade é que os loucos dizem de uma realidade ainda desconhecida, é por essas e outras que deito na praça aguardando vagar

Me leve pra fora de mim, às bossas antigas, vida ultrapassada, tem uma chama que escuta nosso choro, e faz amarelo no canto do olho, e faz sentido a gente partir

A poesia nos engole

Mandei uma mensagem

Tua poesia me habita

Sei da tua sede e do amor pelo campo

E a cidade nos engolindo

Amo teus versos

Assim como ama o vento

E as batatas da terra

Se me perguntar por onde andei

Sigo lento teus versos

Trocando papéis

Desesperada dentro da cidade

Nos engolindo

No vento do gás vento, dentro torneira sem água, no teu coração o sentimento do mundo

Foi assim que descobri no teu poema um pedaço perdido de terra

Nos engole

sexta-feira, 13 de julho de 2018

como poderei caminhar por esse chão embebido,
e tocar olhares, desviar do tráfego de mutirões,
se descubro a solidão da poesia
constrangida e muda?

é que desde nascida
que me sinto vulcanizada a pronunciar
qualquer trivialidade
quem sabe uma hora ou outra
debatesse com um Cala-te a Boca!

mas é que não me calo
porque sinto os pés movidos,
os olhares dizendo coisas que boca
alguma é capaz de declarar,
e as buzinas acenando chegou a hora
de acordar
feito se for preciso falar/

é que como poderei caminhar
por esse destino de inquietação
se por existir a vontade clamar
de arrebentar o silêncio dessa vastidão
Por amor

tenhas cavado a solidão

Tenhas dormido encolhido

no calor

Esquecido de tomar café na manhã

o faças no almoço

Por amor que tenhas renunciado

Por amar somente

estás sozinho

Compondo sobre traduções

Por amor tenhas traduzido poemas

Que te ferem

Por amor,

Amado

Estou lendo seus poemas e bocejando ao mesmo tempo e arrotando

Bebendo uma latinha, um cigarrinho, uma musiquinha, uma caminha, um lencolzinho, um ventinho,

Que não me entenda que te escrevo uma carta, porque certamente não enviarei e porque parei com as cartas

Eu disse: basta !

Quero dormir. Chega de sonho.

Você dizia das coisas bonitas com as palavras, das unhas, dos cabelos e de mais algumas coisa mas eram três que você falava e negava o que não era você:

“Duas cabines telefônicas na chuva”

Algo assim

Não quero colocar pontos no final