quinta-feira, 14 de outubro de 2021

revisto o museu da infância

lembro quando as colhia 
no chão esverdeado daquele jardim 
robusto, imerso. mangas suculentas 
por obra do susto da queda, molengas. 

eu as trazia nos fundos bolsos,
mangas que se acomodavam inteiriças 
nos bicos famintos dos pardais, 
de corpulências tão sutis. 

os rastros amarelos 
de sumo das mangas 
permanecem espalhados 
pelas folhas dos meus rascunhos. 
 
as mangas, verdes
dependuradas nas árvores verdes
de amarelo maduro o tom, 
aquela saudade arquivada na memória. 

domingo, 10 de outubro de 2021

terça-feira, 5 de outubro de 2021

faminta

por dentro da minha noite
te escrevi um poema cadenciado 
você me dizia que as estrelas
cairiam junto a mim da janela
eu te recebo no meu sofá
antes de almoçarmos 
não temos tempo 
de nos despedir dos talheres
você me come antes das palavras 

domingo, 3 de outubro de 2021

poemas mais curtos do que as minhas saias

desaprendi 
a fazer versos longos
talvez 
eu esteja encolhendo

é o que acontece
com os cabelos
a voz

talvez 
eu esteja apenas
mais ou menos retraída 

sair da infância
não significa crescer 

o tempo

se o tempo não para
imagina nós 
que não cabemos
em uma moldura
o que dirá o motorista 
que fez sinal no ponto

tivera de bater antes das cinco 

terça-feira, 28 de setembro de 2021

quero ao menos sorrir

me faça sorrir
ao menos uma vez 
da nossa desgraça 

um amor tão triste 
assim ao menos
não me deixa saídas