terça-feira, 27 de março de 2018

sincronismo

nos impedi
amor
baby drugs
por tudo que não passamos

Talvez pela voz
de Belchior
rouca pela manhã
você lembre
oxe
bichinho
com carinho,

É assim na poesia,
te figo
amor docinho

bem simples
assim
feito dar nomes
aos bois anônimos
que o tal João G. Rosa falou

mas se depois do amor
cantemos
não nos cale

no som
aquela música
a gente dançou
na cabeça
tudo é divino e sagrado
e maravilhoso e misterioso

não posso deixar de dizer
pensei em você 

segunda-feira, 26 de março de 2018

Não é que não acredite mais em você

Mas uma parcela do mundo está
caindo
bem aos pés
sente a dureza divina?

Oh sim, estamos cansados.
Mas vem dizer que estamos seguindo,
indo de encontro ao mundo esquecido
e não jamais esquecendo

Por mais que a memória negocie
com as palavras,
não deixaremos de lembrar

Seja de algum modo nos esbarramos com carinho, 
pedindo desculpa
por alguma coisa que aconteceu

Parece abismo deixar de falar

quarta-feira, 21 de março de 2018

Saídera

Um bom jeito de começar um poema
De qualquer jeito a gente pode começar basta começar

2. Quantas Luas?
Fui capaz de encontrar as estrelas mas nenhuma Lua pra contar historia

3. É proibido
Não, não é

4. Mais um litão
Mais uma mais uma vez mais uma

Perdi as contas

18. Estamos entrando no meio

Passa rápido
Tudo bem devagar

. Quantas vezes quis findar ?

domingo, 18 de março de 2018

Helena do Norte


Perdão, Helena, pela tempestade do mundo caindo de seus olhos

Sangria rubrados lambada qualquer coisa
Escorando os pratos no jantar a sala reunida. 
Ríamos de tudo até os olhos Helena. 
Elena de brilhos dos olhos grandes, mansidão dos olhos, de ternura macia
"Você perdeu muita coisa"

Dos olhos tarde e se amanheço Helena
Me dizia em grito das vozes do mundo
"Você que sabe"
Era assim
Helena sabia de tudo 

Sentava à cama de Helena que me contava de pegar um caminhão 
e contornar a seca, as voltas à sorte, da morte e do norte
Só não voltava atrás na palavra
Helena costurava na minha frente pra mim

Tarde, Helena aguardava
Com as mãos as linhas a voz os pés
De caminho infinito 
Que me mostrava um destino
"Volta!"

Gritava todos os dias essa voz sabe tudo
"Abre os olhos"

Gosto de Helena todo dia e todo dia Helena gosta de mim
Gosto de gostar de Helena. Amo Helena. Amo de jeito que se for descrever 
é feito ver o arco-íris e ver Helena existir. 

*Ver Helena* ai meu deus
Helena me fala de amor como quem canta
"Você é a luz dos meus olhos"

Helena é meu couro
Me chama de filha. Quando a gente perdeu uma parte
Nossa
Helena,

Mas não findava o dia nos olhos de Helena por mais que tardasse
Retornava a mim como um só coração
Íntegra 

E assustava se contida em braços obtivesse a proteção divina
De dentro
Olha o Arco-íris!
Olha bem pra dentro! 

Vejo o quão linda você é. Vejo e olho pro céu também.
Posso fechar os olhos e ainda te ver. 

"Senta aqui e vamo logo conversá. Você precisa crescê. Já sofrí demais pra vê desse jeito você sofrendo de novo. ? Ninguém merece. Não sai enquanto falo. Vai me ouví? Quando? Parece que tá em otro mundo. Você pode me ouvi? Estou feliz como não me vía. Sem noção. Eu to cumprindo minha razão de vivê. Oxe. Só ouve assim no grito. Meu grande amor. Deus te abençõe."

os olhos prendidos ver e sentir Helena, fazia Sol pelo calor, moveu-se à cama e logo aussou voo. Logo vi que ateava fogo à chama, soprano, a respiração ascendia. Vi que me amava pela simplicidade do ronco, debatia, abanava-me com os pés, era ali que encontrava sossego

Bati a porta com carinho, parecia que a culpa bateria de acordo. 
"Só agora você chega com'essa cara"
De quem sonhou e ainda acorda
vê Helena
Faz parte, então me deixa que conceda absolvição 

Todo dia era tudo de novo de novo e sabia e sentia que saía, entrava, presente.
Foi quando desprevenida atravessara a calçada e lembrei de Helena com o amor imprevisível dos arco-íris, de tão arco-íris que me preenchia, senti que existia em mim dela, de Helena, mais que a mim.
Tanto quanto as cores, cheiro de água. Parece que mais adiante encontrei um bar e brindei por sentir tão forte, por ela e à mim, quando a saideira chegou

Mainha 
Te amo 



quarta-feira, 14 de março de 2018

Inventiva,
deito o jornal na cadeira,
procuro fogo
e te procuro com os olhos,
está por ali, orgulhoso,
diria porque do Sol eternizou
a cor do dia

entregue ao bule atravessa a cozinha,
pego o cigarro e te imagino exposto,
íntegro, de olhos acordados.

Prensado entre os dedos,
discuto sobre o dia de ontem,
passado, o café esquece dos assuntos.

Te imagino frio, molhado,
cavado no botão de linho "as vezes você me olha de fora,
desvia, e entra"
e tem vezes que tu me define
enquanto encontro as palavras.

São elas que te tocam, alguma hora,
alguns instantes será fulminante
a bênção da porta
Toc
Você entrando.
Você saindo.

Você e as notícias de hoje,
mais uma vez, o café e nós,
pra começar o dia.

Avesso, dobrado
e o céu transtornado,
hoje te parei antes da porta
pra te entregar um elogio
"a tempestade mais mansa
do que a rebeldia teus braços,
uivosos, pode entrar pro café"

e me diria sorrindo que o buraco negro
foi engolido.
É quando embora
pensa na volta,
mas agora iria sem pressa

Então você vem
Inventiva,
Encerro o cigarro no chão
E nua, arrumo um motivo
mais se parece intervenção

Procuro o fogo
Seus olhos
Um lugar específico para amar
o dia todo até notícias vazar
de uma manifestação

segunda-feira, 12 de março de 2018

samba a dois

Retorno a ti como quem colhe
e chupa a primeira uva do cacho
verde e macia

Peguei minha rotina
e enviei ao teu bar
pra ver se brindaríamos
além da solidão

Mas a realidade é que sequer
fomos par ou coisa além

Mas na rima a gente se dá bem
Faço teu sorriso ficar maior
do que as pernas
da mesa
e da moça

Acho que ensaiei teu Carnaval
mas desfilo como se nunca
tivesse sambado

Você mexe comigo
e com os passos

e a gente nem vê

Acho que o tempo está gasto
1. ainda há tempo de sobra.

Pode ser que da tempestade
ao arco-íris,
no Natal,
2. você entre pela porta tarde demais.

Pode ser que no correr do cisco
3. a miragem seja o sorriso dela
distorcido num sorriso.

Pode ela e ele, você, Ana. 
Não é possível conter a correnteza
4. e os olhos, veja bem, quando acordar
é preciso que olhe com carinho.

Vai acordar sozinha
e ciente da solidão,
5. antes que seja tarde demais,
vai sorrir contente por vê-la.

6. Ana, teu coração vai curar o ódio
do mundo, você e ela
de amor.

E seus nomes serão uma só,
mesmo a par da identidade
uma do outra,
descobrirão se fecharem os olhos.

E quando chegar a hora,
destino de quem vive,
ao infinito que por si
só existe.

7. Ana, o tempo não demora.
-

1. houve tempo suficiente para dizer de sobra e ainda há
2. depois disso não sobra mais, ou só as sobras
3. vacilará buscando definição para os sentidos 
4. desperta
5. estamos falando de tempo
6. ainda há tempo
7. você também sente

Aos Sóis do teu melado

Flertadas de Grande sol
e Silêncio curioso,
O ânimo das árvores
Ressurge das covas dos teus beiços

Sei portanto das entradas
Escapatórias
Os vidros, acenando
Aos que esnovabam da paz
Achada em tua natureza

Brotam como cicatrizes anunciando
O poema ressurge feito convite 
Comparado às tuas covas

A neblina da Serra dos teus olhos,
É tanto que se percorro,
Recorro a outras órbitas
Capaz de menos solidão

Tornado o susto ao rir teu rosto
Defronte ao escárnio de um amigo
E logo tremia de coisa embasbacada
Ri teu rosto por existi-lo
À criatura desse olhar ternura
Textura de ternura mel

Ao pensar que me olhavas
Queimei luxúria
Porque me vi como criança
E me vi beijar teu rosto
Com ternura igual teus olhos

Parece que entrou
Em mim
Você
Aquele momento
[Te levaria pra tomar sorvete ou
Sol
E logo esqueceremos de morrer]

As crianças ao longo da rua
E nós desbaratinados, 
É quando a gente come vento
E sente gosto de pastel

Teu rosto e as crianças descontraídas 
Moedas tilintando
Os anéis
As unhas
O que mais tem ruído? 

Parece banal
Mas sonhar teu rosto
É um sintoma atípico
Imagina o Sol descongelado
Descontrolado
Imagina a chuva seca
Reflete essa insolação

Parece tanta coisa
O Sol abençoou tuas mãos
A natureza esculpiu teus olhos
Rimou-te com ternura,
Solidão
Com o doce das abelhas
Contida em teus beiços, Verão

sexta-feira, 9 de março de 2018

quarta-feira, 7 de março de 2018

Suor cansado, mofo e ânsia

Esse cheiro de suor cansado
o mofo entornando livro de Pessoa
parece que fomos induzidos ao asco.

Parece que tudo desanda
e se prever o caminhar
destino desse menino ligeiro?

Preveram as grandes tragédias
e elas ainda acontecem,
ainda pior do que o imaginado,
mas parece que nada aconteceu,
e não há nada pior do que isso.

Faz tempo que o tempo passa,
e a rotina cheiro de suor cansado,
mofo e náusea.
Parece que a estação estacionou.

Como desfilar sem o bloco sair 
se essa rua fosse nossa,
e tanta folia como atura o trânsito
a mágoa inibida,
parece que é natural amar o adeus.

Faz tempo que o tempo retorna,
descobre,
como cobrir esse inédito momento
se o tempo não sai da fotografia.
Parece passado.