café e dores

café e dores

domingo, 18 de dezembro de 2016

Condução

Caminho pelo vale distante
Rochas úmidas retiram 
essa estabilidade 
dos dedos 
Enquanto a ponta dos espinhos 
cravam gravuras arbitrárias 
pela pele ressequida
acumulada de sol e sal

Enchergo o riacho ao longe 
só os olhos a mirar 
mas tudo em volta desacredita 
Caminho seguro as pontas
sem as rosas cor do sol 
agora se acumula até 
aqui dentro 
onde a epiderme não alcança
Os rios saborosos criam nuvens 
e chocam o calor de tal 
vista falha insiste
ver água

Caminho como se ir fosse preciso
Transatlânticos automóveis a
bicicleta do banco laranja 
tem vezes 
que é preciso parar
Devagarinho 
Enquanto fluxo tranquilo segue e 
os pés os olhos essas marcas são 
este 
Caminho 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

última parada

cheiro seu perfume o canto da rua
enquanto sem graça
o equívoco
me leva a outro corpo
que almejo ser seu 
brando passo
retorno à memória
beirando essa distância
predestinada pela história
que jamais vivemos
riso sem graça
avanço, mantenho
os
passos
e acho estúpida que o descuido
possa cruzar seu caminho
colidir nossos corpos,
confusão da rua tu pára
o pensamento e me vê
apressada suando de frio
calor, hora do almoço
você
passou?
seria qualquer uma
o motivo minha mágoa
o orgulho dos ombros erguidos
repito palavras
mudo de calçada
vazia
você também sorri
assim esticando o lábio
pro canto
pressionando a pele
na parede as folhas subindo
os troncos e curvas
desvio ali
seu sorriso
virando a esquina
parei por aqui