quinta-feira, 23 de julho de 2020

rudimentar

tenha calma você não será esquecido, 
por mais esquisito que pareça
te escrever depois de tantas idas 

é permanente te amar nesse estado
ilícita, dormente, de versos moles 
sem a pretenção de reter seu retorno, 
mas ainda prezo que volte

não somente ao te investir em versos
mas no terremoto do toque do eco
quando passo as mãos em seus sentidos

parte do dom de apontar o inferno 
dizer que o frio não existe, 
que é tudo coisa dos olhos

os mesmos olhares de adjetivos 
indefinidos que você se refere na gama 
indiscreta dos poemas arquivados, 
dóceis meninos de mãos inquietas, 
as crias que você deixou pelos bairros
hoje navegam no rio da infância

a cidade nunca foi tão desproporcional 
desde quando algum de nós partiu
algo em mim 
sempre há algo 
                         indo  
me pedindo para ir
entretanto há algo em ti
                         vamos 
eu continuo sem saber quem voltaria

a realidade é que se estende entre o nós 
além de estradas a distância imaginada 
entre o cão e o gato

ou a figura de um romance que só
poderia dar certo se comendo
ou co-existindo 

tem dessas coisas paranóicas 
os românticos contemporâneos 
que se espelham nos livros,
e eu sei que você caminha sob os seus
por dentro da poeira, do seu relógio
sempre atrasado crente que haverá
tempo pra o amor, mas não esse 

o nosso você reservou apenas 
para dizer que amou daquela vez 
como se fosse a última 

Nenhum comentário:

Postar um comentário