café e dores

café e dores

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

E a Sanidade pede licença poética

Transava com a poesia todo dia
até parir rimas tímidas,
e às vezes saía amor aos pedaços e tinta
trancava no peito almofadado algumas tristezas,
costurava e bordava os medos na parede do quarto
Às vezes inventava amores urbanos, no ônibus
no Jardim Botânico ou sentada no banco de praças pichadas
e se frustava por ter uma vida de crônicas surradas
e só dançava sem música
porque inventava os próprios passos
por isso ia por caminhos equivocados
até perceber que não há retorno
era colecionadora de transtornos,
olheiras, livros e cartas

Às vezes ela dormia temendo acordar
Às vezes ela teme continuar vivendo,
e rouca, quase totalmente louca
diz aos outros ser poetisa
só para tornar bonita
essa mania de
transformar
tudo em
poesia

8 comentários:

  1. Percebo que ela tem o dom de fazer isso!
    Perfeito!!

    beijoo'o

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  2. Mas é essa a grande verdade que sai de dentro desse peito lindo... a capacidade de tornar tudo uma poesia infinitamente linda...de conversar, de transar com ela, misturando-se palavras e sentimentos....
    Delícia isso aqui....

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  3. "era uma colecionadora de transtornos,
    olheiras, livros e cartas"
    Apesar de absurdo, não são esses os colecionadores mais felizes? Tem o peito cheio de amor - por não ter a quem dedicar - e a alma cheia de poesia, como essa tua que é tão singular quanto bonita.

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  4. Não sei o que dizer, tu é imensa, eu meio que me perco em teus labirintos... os passo que você dá não consigo acompanhar.
    Saudações.

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  5. Bom dia, sua bela poesia faz-me dançar sem musica, seu dom de criar poesia é fantástico.
    AG
    http://momentosagomes-ag.blogspot.pt/

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  6. "Transava com a poesia todos os dias"... maravilhosa essa sua maneira de fazer poesia, de dizer as coisas duma maneira toda própria. Querendo ou não, está no sangue. Não dá pra segurar.
    bj amg

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  7. Identifiquei-me. Obrigada por palavras plausíveis em poesia aprazível. Abçs

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  8. demais! dores diárias nas páginas surradas de nossas vidas.. tantas vezes imaginárias. e só isso.

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