café e dores

café e dores

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Lua de sangue

A Lua está sangrando antes da meia-noite. A Lua decidiu me inspirar e parece que sangra pelos pulsos apavorada. Devorei todas as migalhas do meu coração e usurpei planos que nunca serão meus só para achar algum conforto em terra impura. O chão está seco, faltam meses para o carnaval começar e eu não vou concluir a minha teoria de literatura. Maldita festa da carne.
O batom avermelhado passou do prazo de validade, as pupilas se dilatam quando enxergo a mitologia  em cada ser pagão dessa cidade de prédios modernistas e me pergunto porque ainda não fugi para debaixo da ponte,
ou pra
cima
do
muro
onde poderia virar pichação ácida assinada por algum marginal que dorme
sem teto.

Mar-ginal: indivíduo que tem o privilégio de afogar-se
na imensidão do céu antes de dormir.

4 comentários:

  1. Uma bonita definição pra mar-ginal!
    Que texto profundo, Gyzelle! Fiquei penstiva aqui...

    Beijoo'o
    flores-na-cabeca.blogspot.com

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  2. Tua literatura é pura, dispensa teorias frias que jamais explicam os significados - como tu fez, em textos poéticos da imensidão do céu.
    Me sinto alegre ao te ler.

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  3. Um post muito poético, contextualizado com a lua de sangue...
    Sensacional o poema!!!
    A definição de marginal, conforme disse a Simone é muito forte.....

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  4. A lua quando inspira, reverbera a luz do sol! abraços

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