café e dores

café e dores

sábado, 31 de outubro de 2015

pra não dizer que não falei das curvas

tomando forma
se moldando em cicatriz
me tomando pelos braços
e um arrepio
é talvez frio
cobrindo as contusões
a cor dos mamilos
e se
eu falar sobre o aperto
deixo de escrever
e fico logo nua
só pra anunciar que sou sua
essa nudez
não só de roupa
e essa tela envernizada
de um tom anoitecido
me vestindo
despindo
eu sou sua
crua
miúdes
tecido e hepiderme
sua íris tom de noite
sua língua como um véu
(eu só sou sua quando estou nua)

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