café e dores

café e dores

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

me enterraram em cova rasa

hoje vi um bêbado ser atropelado
ali em escárnio entre os entusiasmados
a farejar o clímax do dia
poderia ser eu ali arregaçado
com a fúria do sol de três horas efervescendo a ferida
a gota de álcool brotando dos olhos
e essa chuva de dias acumulada formando trânsito
e os carros
ah, os carros
as buzinas e faróis apontado pro olho
se mirar nos pássaros há uma sintonia de asas
enquanto o vento maneja cada folha dessa árvore entre o cimento
há muita beleza em parar o tempo dessa forma
à essa hora
o sol começa a esmorecer
o peito acorda do coma induzido
mas o corpo já se encontra enterrado

Um comentário:

  1. A beleza da cova rasa,é que tu respira enquanto faz poemas.
    Outros, que talvez amassem esses teus cabelos que nunca vi, odiassem, como eu, a incerteza de que teus lábios nunca seriam uma divina, morte.

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