café e dores

café e dores

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Quase dei seu nome para meu título

Nunca gostei de sapatos abertos, porque meus pés são feios e isso me lembra corações sem cadeados, assim desatentos, sem óculos ou lentes que aumentem o tamanho do perigo de um amor nesse Rio de Janeiro. Nunca gostei de você partindo em um ônibus colorido me partindo, e sorrindo assim sem jeito, como se não tivesse culpa pela minha paixão brutal
Eu te mostro muitos que gostariam de estar em seu lugar, de ter um pouco desse teu dissimulado olhar e esse par de olheiras forjadas por noites pensando nela; Nessa mulher de mil anos, sem quadris e com os dentes mais amarelos do que o pôr-do-sol.
Me põe no colo e me conte uma história sobre sua jornada de vida entregando declarações, minta sobre o nosso futuro, invente nomes para nossos dois filhos e cante algo que me faça chorar mais do que chorei por não te ouvir.

4 comentários:

  1. Senti isso pesar pra caramba, ainda por ser contado de forma tão sutil (um tanto contraditório, mas é isso). Parabéns pelo texto.

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  2. Vou chamar - em minha mente, teu poema de transfusão, porque senti como sangue novo, injetado e correndo acelerado em minhas veias. Tem essas horas tuas, que me deixam tomado de arrebatamento.
    Obrigado e saudações.
    quid.

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