café e dores

café e dores

sábado, 16 de agosto de 2014

Só não repare na bagunça que eu deixar em sua vida

Meus saltos vão tocar o réquiem da nossa incansável despedida no calçadão bordado de Copacabana e cada estrela que quiser dormir em seus cabelos negros por pura diversão, saberá um pouco do abismo que meus dedos constantemente enfrentam a te afagar. Não é Godard que vai traduzir o nosso amor em tela plana, e Caetano não te deixa tão manhoso quanto as minhas ameaças de jogar tudo para debaixo do sofá bambo da sala. Você quer o meu amor a varejo e eu sou o maço inteiro, o bordel vai te lembrar que nós mulheres somos puras e carnais e veja nossos carnavais intrínsecos… Eu sou gerúndio até no espasmo, na contração da íris e no indo… Sempre passando com roupas que não me tapam a alma. Ouvi a garoa que vertia dos seus olhos cismados na rádio do bar mais próximo ao meu festival, e sei que você me recriminaria por exibir sua vulnerabilidade assim em prosa, mas eu te convidei ao samba só para tirar esse seu sotaque de não me querer exposta.

Eu vou te melar com a minha cidade tão perigosa, vou te violentar os planos só até o sol desabrochar atrás de algum prédio de vinte e cinco andares, assim eu te colocarei no ritmo carioca para ver se você entende que meu coração é bossa nova, só pertence às madrugadas tocadas na viola…

6 comentários:

  1. Isso é obra instintiva e prima. Eu gosto da Universalidade de tuas mãos, que acompanham essa tua mente prodigiosa.
    Saudações!

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  2. Boa noite Gyzelle... tu mergulhas nos labirintos mais profundos do teu ser e dele quando emerges leva uma visão maravilhosa do que lá tu vês..
    tens uma escrita que paralisa quem lê.. pelo fato de tua abordar o todo de diversos ângulos.. parabens mais uma vez.. abraços e continue assim

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  3. Te leio e me absorvo, pois, também estou em tuas linhas. Ao final falta-me palavras. Só sei dizer ,que é muito bom estar aqui.

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  4. Esse quê de saudosismo deixou uma leva de beleza em tudo.
    Obrigada pelo carinho lá, moça.

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  5. Gyz, menina má, boa escritora.

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  6. Mas o Rio é uma máquina de grandes poetas e pensadores, não é mesmo?!
    Só ler nos teus poemas ''Copacabana/marés'' que tenho tamanha vontade de vislumbrar essa beleza toda e depois ver se consigo escrever bonitezas iguais as tuas.

    :*

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