café e dores

café e dores

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Sinopse

escritores como eu morrem sozinhos em apartamentos escuros com o coração aceso. se te assusta falar sobre a solidão é porque você não viu a minha parede, as olheiras que viraram tatuagens, a minha imagem esquecida no porão. escritores como eu sabem que não existe nada mais sólido do que as palavras - amargas
o café não tem açúcar porque ele retrata a minha escrita,
minha biografia, meu romance 
se essa vida te parece um erro é porque ainda tem um coração sem medo
E sem medidas
porque transbordar é poesia

a poesia entrou em minha pele e penetrou-se na rotina que me chora 
estou condenada a parar de escrever 
pois a solidão se apossa de quem a gosta de escrever 

7 comentários:

  1. O café amargo é minha marca registrada, assim como a solidão. Dizem por aí que um dia a gente se acostuma com a dor, que ela passa e que a solidão acaba sendo companhia pra gente. Não! Definitivamente não. A gente cansa de ser solitário e mesmo assim a dor não passa a todo tempo, de tempos em tempos ela aparece pra nos dar um abraço e dizer: "veja, ainda sozinho? Sozinho vejo, morrerás."

    Parabéns pela escrita, toca pontos comuns a todos nós, principalmente a quem escreve.

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  2. Bom dia Gyzelle.. escritores como nós tendem sim a deixar manuscritos para que o tempo de nós não se esqueça..
    por mais sentimentos que venham a tona.. a solidão se faz presente por algum momento e dela pode-se tirar muito proveito.. já tirei proveito de tudo que é sentimento.. e assim todos podemos..
    não vais parar de escrever pois tudo já esta em vc.. abraços e até sempre

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  3. A solidão também é um estado de espirito, tua poesia um estado de graça para meu espirito.
    saudações!
    Ney

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  4. Os poetas não deixam de escrever, pois a escrita liberta.
    Se não é da solidão é das tristezas e alegrias da vida.

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  5. Realmente as palavras são sólidas e também amargas, como o bom café.
    E a tua poesia sempre profunda, Gyzelle. Parabéns.

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  6. Esse finalzinho, que desesperador...

    Cada dia que fico sem vir aqui, sei que coisas bonitas estarão a me esperar.

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  7. Tal texto me lembrou do Caio Fernando Abreu, seus textos também eram amargos, e sua felicidade parecia apertada e bagunçada... como um apartamento.

    Beijos, Própria Mente

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