café e dores

café e dores

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Desvarios de madrugadas insônias

Há um bicho que me dá medo quase tocando a parede
Ele não tem olhos e nem sabe falar
Mas fica pairado enquanto escrevo
Se por acaso eu não acordar
Procure atrás da porta
Debaixo da cama
Na gaveta da cômoda
Ele quer sugar a minha alma
Ele roubou a minha calma

Tem luzes piscando no quarto
Do outro lado da janela toca Mozart no rádio
Agonizando os meus pesadelos
Não ouço passos porque ele tem medo
De ser visto
Mas eu o vejo

Ele tem a face mais horrorosa que já vi
E não tem coração
As luzes estão ficando fracas
Sinto um peso esmagar as minhas lágrimas
Silêncio
Por que isso não acaba?

Tem um degenerado borrado de ódio
Se alimentando do meu desnorteio
Ele dorme sob os livros
Observando o crescer do desespero

Ele sabe que tenho medo
E se descobrir que não gosto da vida
Estou sem saída
Trancaram a porta
Eles acham que nasci morta

*Tornam-se frequentes as vezes em que me deparo com essas imagens no quarto, é tão real que quase posso tocar. 

7 comentários:

  1. * É ´serio isso? - Porque tu me levou da diversão ao tenebroso, e agora não sei se sinto alegria ou angústia. Diz a verdade isso é ficção ou realidade?
    Abraço

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  2. O modo tão detalhado e angustiante que você descreve esse tal "monstro", fez-me temer por você, talvez, essas visões, reais ou não, sejam você se enxergando de dentro para fora. Todos temos um monstro dentro de nós. Ótimo texto, assim como todos os outros que você escreve.

    Beijos

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  3. Dar asas aos monstros interiores é abraçar a catástrofe...
    Todos nós temos nossos monstros o problema é saber como nunca os soltar.
    Sabe estava lendo o seu texto e não sei porque mais acabei me lembrando do livro A Metamorfose de Franz Kafka e do texto do Teatro Mágico (inspirado nesse livro) Insetos Interiores.
    Vou deixar o link caso tenha curiosidade.

    http://letras.mus.br/o-teatro-magico/1587904/

    Beijos

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  4. Ney, é real mas não se preocupe, já estou acostumada. Fico grata pelos comentário e pela recomendação da música, adoro Kafka.

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  5. Boa tarde Gyzele.. me lembrou muito esta tua poesia uma qure fiz chamada as faces da loucura..
    onde abordei temáticas fortes.. o ver e o sentir por vezes nos assustam..
    ainda bem que mais sinto do que vejo.. e nada como mozart para nos calmar .. adoro tudo do mesmo.. abraços

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  6. Estrangeiro: Sua descrição é bem cinematográfica...gosto de ir junto a cena e sentir os mesmos medos e pavores que a cerca...não sei se dorme ou se sua alma esta acesa, mas gosto da sensação de estar de alguma forma junto a sua cena...bravo!

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  7. Essa última estrofe... Estou boquiaberta!

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