café e dores

café e dores

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Arrisca e me risca em seu corpo

Cuida bem do meu excesso de paranoia
dos quatro mil sóis que acharei enterrados em seu cabelos
das metáforas que forem criadas só para eu te fazer único
não só em meu coração
mas também nas minhas poesias

Cuide das minhas e suas futuras rimas!
porque só sei fazer versos repetitivos nessa vida,
porque escrevo com meu sangue, a língua, as tripas
cuida da minha falta de tamanho não só por ser pequena
o mundo é grande - me engole
Devore com essa boca misteriosa
só não me cuspa - degusta
faça dos meus restos a sua ideologia, sua culpa

Se você compreender as minhas entrelinhas
e se propor a caçar comigo as estrelas no céu-da-boca
eu dedicarei a Lua escondida em minhas costelas(ções)
só para te assistir dormir em cima dela

E, se você quiser cuidar da minha confusão,
eu te darei um amor de poesia e fantasia sem refrão
Transformarei meu exagero em seu codinome
trocarei os vícios pelo suor ignorado que te consome

Eu te darei aquele amor eterno ainda não cumprido
Só preciso que se arrisque a me amar
pois sei decorado que vocês temem minha doença...
Minha doença é só poetizar... Ninguém se risca...

*manual de instruções

11 comentários:

  1. Esse teu poema é total é imenso e é lindo de sentir enquanto é lido. Teu poema nesse fim de semana é meu sol e estou contente com isso.
    Beijo em tuas mãos, minha alegria.
    Bom fim de semana.

    ResponderExcluir
  2. http://paranavaicidadepoesia.com.br/femup/ Gyzelle vê se isso te interessa.

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Linguagem e raciocínio excepcionais, você da voz a sua alma e mexe com a minha! Seu poema consegue ser (pra mim) esperançosamente doloroso, como se eu esperasse mais que um momento de perfeição (como é injusto cobrarmos da perfeição mais que um momento, são tantas coisas imperfeitas em tantos momentos que deveríamos nos sentir privilegiados).

    É como se doesse (em mim)
    Esperar algo assim de alguém.
    Como se doesse esperar alguém.
    Como se doesse esperar.
    Como dói o seu poema em mim.

    Uau, preciso me recompor aqui.
    Bjs.

    ResponderExcluir
  5. Esse poema fez-me lembrar de Vinicius de Moraes...
    Pela genialidade, pela densidade e por tudo que não consigo tocar.

    ResponderExcluir
  6. Gyz---.
    Me impressiona sua capacidade de ser amante, pura disposição para amar, seja o amor, seja a poesia.
    Há muito corpo, tato, toque em seus textos. Embora todas as proximidades, todas as uniões, sejam sempre fronteiras.
    Há sempre uma tensão vibrando, um atrito, um carinho enorme.

    ResponderExcluir
  7. E se todos fizessem um manual desses, com tanta intensidade e poesia, com tanto amor e dedicação, o mundo seria tão bonito, desejável, tão cheio de querer.
    Amor é mesmo uma doença, só sabe quem o possui, quem o transborda, assim como você, pelas suas fortes palavras...

    ResponderExcluir
  8. Que coisa mais linda esse poema.
    Tão pessoal, e ao mesmo tempo, compreende muitos de nós..
    que amamos.

    Obrigada por suas visitas lindas. Um beijo aqui para você.

    Grains de Beauté

    ResponderExcluir
  9. Apaixonada por teus versos... Tocou aqui dentro.

    ResponderExcluir