café e dores

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domingo, 24 de agosto de 2014

Impression, Soleil Levant

Você me faz lembrar daqueles contos os quais eu te incluía sem nem saber seu nome, seus pseudônimos eram dos planetas esquecidos por astrólogos lúcidos. Esses seus contornos são mais complexos do que o meu pincel pode suportar, fui te pintar e só fiz poesia. Não te espero na janela, nem te ligo de números interurbanos porque você se assustaria com a minha psicopatia. Eu fui rejeitada nos exames psicológicos, meu bem, você sabe que eu não sei amar por pedaços, mas te confesso que não quero ser inteiramente sua. Sou da Lua pregada no céu a brilhar meu corpo nu que te canta uma canção de dor... Sou a dor exposta em ateliês fechados, no tumulto urbano e no chuvisco guardado em seus olhos maquiados por essas olheiras boêmias.

Hoje eu preciso dos seus lábios me profanando, dos hematomas e do álcool mais sórdido pois amanhã eu não vou te querer nem se estiver pintado em algum quadro impressionista de Monet.

*O título é o nome de um dos quadros mais famosos de Monet 

9 comentários:

  1. Muito bom! Existe uma musicalidade altamente sedutora nas suas frases... o seu ritmo faz minha mente dançar, ser seduzido.

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  2. Tu é total e mágica. Um arrebatamento encantador em plena segunda feira, eu fico feliz com isso.
    Saudações e obrigado.

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  3. Sou suspeita a renegar o meu destino platônico
    [...]
    Às vezes acho que sou refém desse amor hediondo
    Às vezes tenho certeza (Gyzelle Goes)

    Há um certo conforto estilístico depois da vida ensanguetada (para cada um algo foi
    vivido e, depois, despedaçado), conforto que dertermina certa perspectiva e em como tal paisagem se desenvolve per si dentro do nosso peito e nos conforta porque parece ser a razao secreta da nosso ato de escrever... até que ponto nos acostumamos com aquilo que de tanto imaginar e no mesmo discurso ou método, como o cartesiano, a sentir segurança daquilo que se sente e pensa; ninguém quer se arriscar - o medo tem muitas gavetas e a paz parece algo horizontal... a crença (e sua santidade) da poesia é tão íntima que não permite ser compartilhada totalmente, quando observa e sente o amor é para forçar a barra de seus limites dentro de si, que são as outras possibilidades que jamais se consubstanciarão, não é possivel satisfazer-se de algo construido, efetivamente, para não saciar nunca ou "nevermore".

    "Eu sou gerúndio até no espasmo, na contração da íris e no indo…" (Gyzelle Goes)
    "Eu não quero acordar e sentir que já passei por aqui" (Gyzelle Goes)

    Curiosamente quando diz que não quer passar, trata da mesma coisa em niveis diferentes; porque o movimento de ir eternamente em gerundio, esse rio que corre, torna tudo tao acessivel, porque nossos corpos são pesados e lentos - e aí reside a maravilha da poesia - porque se só passarmos nada nos resta, nada fica sensivel... saber passar é talvez entender como o mundo brinca conosco ou nos aterrozira, nestas dinâmicas do qual parecemos estar à mercê... a mulher jamais vira poetisa, o homem poeta; não há um ponto onde isto possa ser equilibrado, garantir um conforto - que sempre sera incomodo... não, a poesia não é a admissão cega (e seus subtons), nem a completa anulação (e seus vazios comodos): é uma profissão de exilios que se alternam: quando passa, admira as coisas que resistem ficar; quando fica, sonha ou delira com a sensação de partir, reconhecendo que não adianta somente andar.

    um abraço

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  4. Já disse que gosto daqui??? Sempre venho. Às vezes fico quietinha apenas lendo, admirando e acabo sem comentar porque fico sem palavras. Hoje seria o mesmo, mas pensei que seria legal saber o quanto alguém gosta do que escreve! Parabéns pelo texto, pela habilidade com as palavras! :)

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  5. Esse teu romantismo sem medida engrandece a minha imaginação...

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  6. Bom dia Gyzelle.. cada mergulho teu no mundos dos pensamentos te faz voltar deles com belas criações..
    tens uma imaginação aguçada e só tende a ir além do que nós esperamos de nós mesmos..
    sucesso sempre e muita inspirações mais
    bjs

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  7. Nossa, quanta intensidade, um fulgor de sentimentos tão indomáveis, tal como uma paixão deve ser...insana e efêmera, lembrou-me da passionalidade de alguns filmes de Almodóvar, cuja morte e violência são mescladas com sexo tórrido.

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