Desista de mim.
Desista como desisti e tenho desistido
Minutos, Instantes ...
Não mire meus olhos assim com tamanha candura
Deixe de sorrir ao me ver filmar o vento, as árvores, a mim.
Meus olhos estarão chorando A morte do leiteiro
O enterro de um amor fecundo por meras palavras Tamanho 12.
Veja bem os meus defeitos crônicos
E vire a próxima transversal antes de olhar para trás
Eu não tenho nada
Eu só faço histórias para não me sentir tão só.
Já navegou em águas traiçoeiras de um verão tempestuoso?
O meu amor é violento
A minha febre de alma é insaciável
Não sei roubar pela metade
Desista de me procurar em poesia romântica
Nós sabemos que a minha rima é singular
O meu enredo é pouco harmônico
E o meu tempo é a despedida
domingo, 29 de junho de 2014
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Tuas transversais me extraviam
Quando foi que eu me senti furtada por sua beleza egocêntrica, carnal, devassa? Já não conto as vezes em que me parei para cogitar os planos de nosso futuro oscilante. Não quero prever que nosso quintal um dia murche por tua partida, mas por segurança planto cactos pois eles aguardam, eles estão acostumados com as despedidas devido à chegada da Primavera. Eu não estou, Loira. Você fala a língua que toca a minha alma de um jeito erótico como se soubesse manipular corpos. E manipula com tal maestria que eu diria que você é bem mais do que artista. Teu corpo é um violão saudável, macio, engenhoso.
Teu corpo é um edifício de entradas, dores...
Quando foi que teu coração se tornou tão vulgar?
Hoje a Lua se escondeu atrás dos teus olhos de pedra pura cristalizados por um azul que trucida os meus versos submissos. Teus olhos, guria, são um tremendo delito. É uma violação essa tua essência deturpante, essa canela que sai de teus lábios úmidos de palavras obscenas. Teus cabelos tão dourados que grudam em meus lençóis viciados. Eu te enclausurei nessa prosa subordinada e estou acorrentada a teus poros suaves afogados por perfume de café. Já não consigo mais dormir. Quando declarou que me amava como quem declama a própria sentença de morte eu finalmente soube que estava perdida.
Não em alguma esquina perigosa,
Não nas tuas poesias sórdidas... Estava perdida em ti.
Teu corpo é um edifício de entradas, dores...
Quando foi que teu coração se tornou tão vulgar?
Hoje a Lua se escondeu atrás dos teus olhos de pedra pura cristalizados por um azul que trucida os meus versos submissos. Teus olhos, guria, são um tremendo delito. É uma violação essa tua essência deturpante, essa canela que sai de teus lábios úmidos de palavras obscenas. Teus cabelos tão dourados que grudam em meus lençóis viciados. Eu te enclausurei nessa prosa subordinada e estou acorrentada a teus poros suaves afogados por perfume de café. Já não consigo mais dormir. Quando declarou que me amava como quem declama a própria sentença de morte eu finalmente soube que estava perdida.
Não em alguma esquina perigosa,
Não nas tuas poesias sórdidas... Estava perdida em ti.
toca um blues para meu coração bater outra vez
costumava ter um coração polido, suave, calado
mas resolveu caminhar pela rua sem escudos e foi tragada pelo amor por lábios tão ressequidos quanto o deserto do Piauí, depois de deturpada por esse pseudo-intragável-amor sofria de anorexia-cardíaca, pobre coração! resolveu resmungar
pediu demissão. chorou a noite inteira. pesou no peito da menina que só queria passear mais uma vez no coração do marinheiro. o mar azul igual ao céu da tarde daquele dia já gritava mais do que o coração daquela menina. pobre azul que perde para os olhos do marinheiro! ele só queria ser inteiro.
rodopiava ela no chão de palavras. torcia uma por uma até fazer versos risonhos que roubassem a tristeza por não ter mais um coração.
e o marinheiro? esse o mar levou em uma onda revolta porque o azul daqueles olhos acrescentavam a definição de todo blues: infinito.
mas resolveu caminhar pela rua sem escudos e foi tragada pelo amor por lábios tão ressequidos quanto o deserto do Piauí, depois de deturpada por esse pseudo-intragável-amor sofria de anorexia-cardíaca, pobre coração! resolveu resmungar
pediu demissão. chorou a noite inteira. pesou no peito da menina que só queria passear mais uma vez no coração do marinheiro. o mar azul igual ao céu da tarde daquele dia já gritava mais do que o coração daquela menina. pobre azul que perde para os olhos do marinheiro! ele só queria ser inteiro.
rodopiava ela no chão de palavras. torcia uma por uma até fazer versos risonhos que roubassem a tristeza por não ter mais um coração.
e o marinheiro? esse o mar levou em uma onda revolta porque o azul daqueles olhos acrescentavam a definição de todo blues: infinito.
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Isso é bem mais do que um amor de verão
Gosto do seu jeito rude de tropeçar no "Eu te amo"
Por intermédio de metáforas, apertos sufocantes, luz do dia,
Da forma como nega a sua sina pelas minhas curvas,
Essas estreitas como sua segurança em nosso amor
Gosto da blusa amarrotada pela sua forma cansada de sentar
Dos seus óculos que te fazem me ver devagar,
Devora minhas digitais e sequestrando meus rótulos
Rendo-me ao seu cinismo
Derreto-me ao te observar pairado ao sol da tarde,
Incansável, bruto, humilde
Vertido pelo suor que molha a surrada blusa de malha,
Que logo morre nos meus lábios enquanto gingo minha saia
Você tem sabor de lágrimas e roupa antiga
Gosto, gosto muito da sua melancolia que me faz devota
Quero cuidar da sua solidão que já é minha
Porque gosto mais de você do que da poesia
Isso é mais do que amor, Moreno cor-de-chá
Isso que queima suas bochechas não é o verão,
Sou eu
Por intermédio de metáforas, apertos sufocantes, luz do dia,
Da forma como nega a sua sina pelas minhas curvas,
Essas estreitas como sua segurança em nosso amor
Gosto da blusa amarrotada pela sua forma cansada de sentar
Dos seus óculos que te fazem me ver devagar,
Devora minhas digitais e sequestrando meus rótulos
Rendo-me ao seu cinismo
Derreto-me ao te observar pairado ao sol da tarde,
Incansável, bruto, humilde
Vertido pelo suor que molha a surrada blusa de malha,
Que logo morre nos meus lábios enquanto gingo minha saia
Você tem sabor de lágrimas e roupa antiga
Gosto, gosto muito da sua melancolia que me faz devota
Quero cuidar da sua solidão que já é minha
Porque gosto mais de você do que da poesia
Isso é mais do que amor, Moreno cor-de-chá
Isso que queima suas bochechas não é o verão,
Sou eu
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Se eu for seu sol você deixa que te acompanhe?
Vejo você extorquindo do sol cansado um pouco de vitalidade enquanto se escora na janela sem maneiras exatas, implícita e submissa, traga o chocolate quente aos golinhos para fazer daquele ato poesia.
Te fotografo com a lente dos meus óculos de grau, desejo te enquadrar na minha vida, mas você não é de ninguém. Você é do mundo, mas o mundo te engole rápido demais e não consigo acompanhar seus goles.
Seus passos rasgados até o próximo quarteirão levantam os rapazes do bairro. Seus passos me afastam para o submundo da saudade. É, aquela velha saudade que me apresentou quando não me atendeu por mais de um mês. Trinta e dois dias e sete horas.
Você me acorda e toda hora eu estarei pronto para te ver partir sem ressentimento nas malas. "Por pouco quase não sou minha" me dizia em pleno gozo para descer mais leve em mim. Não descia. Todas as vezes que me encolhi em seus braços feito padre ao rezar missa foi por saber que meu pecado é te desejar além do desejo.
Acho que isso se chama amor, mas nós chamamos de desejo permanente. Não quero admitir assim tão francamente, mas quando você vai embora eu choro mais do que chorei quando nasci. Vejo você indo e lamento não ser o sol que queima esse seus cabelos lambidos por tinta preta.
Eu sou a Lua, ascendente em Câncer. Você queimou a ponta da minha paz, mulher. Acho que me transformei em um tremendo sentimental besta, culpa dessa miopia que à primeira vista me fez amar alguém capaz de só amar a si mesma.
Te fotografo com a lente dos meus óculos de grau, desejo te enquadrar na minha vida, mas você não é de ninguém. Você é do mundo, mas o mundo te engole rápido demais e não consigo acompanhar seus goles.
Seus passos rasgados até o próximo quarteirão levantam os rapazes do bairro. Seus passos me afastam para o submundo da saudade. É, aquela velha saudade que me apresentou quando não me atendeu por mais de um mês. Trinta e dois dias e sete horas.
Você me acorda e toda hora eu estarei pronto para te ver partir sem ressentimento nas malas. "Por pouco quase não sou minha" me dizia em pleno gozo para descer mais leve em mim. Não descia. Todas as vezes que me encolhi em seus braços feito padre ao rezar missa foi por saber que meu pecado é te desejar além do desejo.
Acho que isso se chama amor, mas nós chamamos de desejo permanente. Não quero admitir assim tão francamente, mas quando você vai embora eu choro mais do que chorei quando nasci. Vejo você indo e lamento não ser o sol que queima esse seus cabelos lambidos por tinta preta.
Eu sou a Lua, ascendente em Câncer. Você queimou a ponta da minha paz, mulher. Acho que me transformei em um tremendo sentimental besta, culpa dessa miopia que à primeira vista me fez amar alguém capaz de só amar a si mesma.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Lapa
O perfume doce e francês sufocando meu tesão
A sandália dura tamborilando o chão de pedra
As transversais do corpo, as pálpebras dançarinas
Ah, o sorriso é um escândalo
Tão minha, tão nossa, tão feminina
Abre o meu apetite e a avenida
O suor desvendando a maciez dos seios apertados
Ela me flecha como uma lâmina com o olhar de meretriz
Mas as bochechas ganham cor
Ela se torna delicadamente uma donzela
Meus dentes de vampiro querem sugar o mel dela
Ela atua em cima do meu desejo de malandro
A vodca aquece o sereno
Essa noite nos conheceremos
Cruamente
No motel ou no chafariz
Minha sina será tamanha que voltarei na próxima semana para perguntar:
Você vem sempre aqui?
domingo, 22 de junho de 2014
Olhos tempestuosos
A sacada do meu apartamento alagou de tanta chuva, tanta lágrima. Deixei a porta do meu apartamento aberta na intenção de abrigar alguém dessa tempestade de solidão, as luzes do semáforo piscam o tédio da madrugada, os carros que sobraram pelo asfalto perambulam sem saber aonde ir porque o bar fechou antes das três. Um acidente aconteceu aqui na minha rua, nessa rua de pedras e mármore, o amor morreu. Passa o homem de terno azul com o chapéu todo molhado de seda, corre a moça com o vestido de chita decorado com borboletas (sortudas borboletas encharcadas que colaram nos seios, pernas e barriga dessa moça passageira).
O rapaz de barba vermelha passa cansado enquanto carrega os pingos de chumbo nos ombros e na cabeça, não reclama o dilúvio do céu
não abre o guarda-chuva, se tinha que guardá-la, que fosse em seus olhos.
Choraria amanhã.
O rapaz de barba vermelha passa cansado enquanto carrega os pingos de chumbo nos ombros e na cabeça, não reclama o dilúvio do céu
não abre o guarda-chuva, se tinha que guardá-la, que fosse em seus olhos.
Choraria amanhã.
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