terça-feira, 29 de setembro de 2026

língua morna

haverá uma beleza 
perpétua, como ressuscitar 
uma língua morta?

criar um novo sinônimo 
capaz de adiar 
a dureza
dos ombros franzindo 

leio um poema que parece ser infinito:
o desassossego da sua língua morna. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

do Sul

passaram-se anos, 
estou à mesa, 
nessa que se tornou museológica,
com um copo de vidro americano
suando. da América do Sul. 

dentro deste território que eu te dei,
além de amor. Paz.
paz que nunca encontraremos. 
mas almejar é o verbo predestinado
a nós. 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

crônica

quando te percebo sinto dentro 
da clausura da sala 501 
as cores do bairro 
incendiarem as dobras dos rostos

estou encandecida 
tanto quanto te vejo
assim como a avenida 
da Central redobrada de saudade 

e o meu beijo. o cenário da tua crônica.