domingo, 8 de novembro de 2020

Dorme, meu filho


Dorme, meu filho

pois a sombra reclinada 

é somente o encosto da cama, 

deleite do teu descanso 

 

Rostos às luvas

expostas fraquezas tuas,  

descubras 

o mundo moço 

na palma das mãos

 

Quererás dessa mão dormente 

apoio,

verás o rosto 

em desespero, 

mas serão gigantes 

os teus poemas

 

Há de encontrar face

a te perturbar, 

a solidão não será

mais somente tua,

mas de um desconhecido

 

Ao desvendar a glória

acreditará estar vencido, 

talvez pelo ego 

que te definhas, 

talvez pelo gosto agridoce 

no caldo da boca

 

Dorme, meu filho

amanhã sabemos que virás

ontem tu sabes que já foi

agora tens o sonho de um menino


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