sexta-feira, 6 de novembro de 2020

ser antes do querer a luz vermelha

quero ser antes a mulher que escreveu 
na beira dum pedacinho de mapa rasgado 
chamar de estado algo 
cativo ao silêncio distraído 

quero ser para você o que seria à mim 
a esfera do brilho inteligível
oco órbita dos astros  
galopando ao som de pássaros levianos

quero ser para mim o que somos 
além dos famintos túneis
cavando a solidão dos vagalumes 
transe das eras 

não quero ser mais nada 
além de saciada pela palavra
seca dentro de um abajur 
no centro do coração de um âmbar 

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