café e dores

café e dores

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

múltipla

novas maneiras de morrer
e as fórmulas não solucionam
problemas reais
toda forma de descrever
essa distração esquecida
mas o jeito como as palavras
nada dizem
e se multiplicam
não alteram o sentido

é corrida essa poesia na rua
escrita com tinta
ágil
entanguida
sem direção
nem lugar seguro
presa no muro
discorrendo sobre a solidão
das palavras perdidas

alguns poetas pragmáticos
enterram numa folha A4
exata oração rimada
que justifique
parcela
do dia

e o trajeto do sorriso
impermeado por ausência
de sentido
segue o ritmo
sem que haja motivo
e novas
maneiras de morrer
tenham surgido

2 comentários:

  1. A corrida é a vida, a alma morre com a mente, o espirito é sempre do Universo e os teus versos, me dizem que a gente é sempre gente e fim ... e eu penso agora que tu nunca escreveu um poema pra mim.
    Enfim ...
    saudações!

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  2. A cidade se reescreve diariamente e a gente é ora tinta ora papel dessa poesia urbana/mundana/humana... Muitas vezes o sentido é aleatório, desprovido de juízo; noutras se escolhe muito bem o que é dito.

    Um ótimo resto de semana por aí!
    ;o)

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