café e dores

café e dores

quarta-feira, 4 de março de 2015

mar ou amaré?

quarta-feira de um dia quase cinza
as folhas nasceram em árvores nuas 
os amores renasceram virgens
há fila em todo lugar 
bancos e boates
e eu que só ando com botas apertadas
sinto que há espaço pra voltar à pé 

sem nada em mãos
só mais um aperto na garganta
como se as palavras quisessem me estrangular 
ou talvez seja só essa sina de ser uma escritora suicida 
manipulando o meu silêncio 

não dá para sair de saia 
nem esquecer amores platônicos 
como quem deixa o isqueiro em casa 

eu moro perto de todas as praias do rio
e não sei mergulhar 
a não ser em seus olhos 
de outra cidade 
isso é o que chamam de amar 

3 comentários:

  1. E tudo parece nos apertar quando distantes de um amor.
    " as folhas nasceram em árvores nuas "
    Esse trecho parece acolher a eternidade.

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  2. A poesia completa é incrivelmente linda (até o pedaço de morte), mas o trecho "e não sei mergulhar | a não ser em seus olhos" ultrapassa todos os limites que a poesia já teve. Essas palavras tão simples são de uma intensidade avassaladora.

    Enfim, você vem se superando cada vez mais!

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  3. vc não mergulha, pois é a própria água e sua finitude, gyzelle.

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