café e dores

café e dores

sábado, 28 de março de 2015

Dois resignados:

há humanidade em mim?
será saudade o nome desse lamento? 
os olhos são maresia ou sobra de poesia? 
há uma paz tão grande e passageira
dançando com as nossas palavras.

perdemos tantos sonhos pelas ruas.
temos pisado em tantas pedras nuas. 
eu perco o vão das sete e há em nós uma dor fingida
matando poetas. 
amargando o café da manhã 
de quem nem dormiu. 

toda lamúria tem um fim.
carnaval só termina em Janeiro.
no fim da rua é teu coração que me indica a direção.
temos saída? 

todo mundo está cansado no ultimo vagão
e eu que ainda nem dormi
te possuo aqui. 
também chamo isso de resignação, João.

7 comentários:

  1. "é teu coração que me indica a direção."

    Bonito isso.

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  2. João, esse me parece o nome que inspira as melhores poesias, sejam as tuas ou as da Hellen, outra que tanto admiro [longe de mim querer compará-las, mas meu deus, vocês me tiram o ar]

    te ler sempre é renascer em poesia

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  3. Poetas fingem que fingem dor, porque sem fingir toda e qualquer declaração de amor, não passaria de um grito de solidão e só. Poetas fingem que fingem, para agradar a alma e apaziguar o espírito
    Tu finge bem, eu gosto disso.

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    Respostas
    1. queria eu que ela fingisse. mas é tudo verdade.

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    2. E é por isso que o que ela escreve é único. Ela diz a verdade.

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  4. vou criar um dicionário com nossos verbetes em comum, g. :)

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  5. Que lindo, cara. Li e não associei o seu João com o meu, pois meu João morreu, o libertei.

    Estou resignada, enfim.

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