café e dores

café e dores

sexta-feira, 6 de março de 2015

o rio de janeiro é cercado por lágrimas e rios

11:55, hora do almoço no bar do arnaldo e da conversa sobre a mulher que passou sorrindo torto depois de um psiu, talvez ela seja solteira ou só esteja cansada de ser assediada em plena luz de um horário de verão. estamos todos cansados até de pedir perdão e os bueiros entupiram de tanta sujeira que essa cidade guarda. na rua do ouvidor só se ouvem os gemidos secretos vindo de portas compridas e eu lembro dos romances brasileiros e tento ver beleza em toda dor ouvida em plena luz fervente do dia. se o Rio de Janeiro continua lindo eu não sei dizer na poesia, mas quando ando pela orla da praia de Ipanema, desejo morrer ali no calçadão milimetricamente desenhado de tão ínfima que existo. os cariocas sambam só na própria reputação, e há nos arcos da lapa um Deus dos desajustados comprando promoções de caipirinhas de kiwi com morango. é preciso coragem e verdinha e uma música alta nos ouvidos para virar a esquina. o enterro é no domingo e todos somos Jesus Cristo quando na segunda ressuscitamos para a rotina de vagões lotados de olhares e bolsos vazios. ninguém mais troca olhares na cidade, mas tem que me olhe torto. todo mundo paga o preço por tentar mostrar que ainda está vivo. sim, o Rio de Janeiro continua lindo.

3 comentários:

  1. A gente vive entre lágrimas e rios e afogados quase sempre.

    Bjo'o

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  2. Teu olhar sobre todas as coisas que te rodeiam faz qualquer infelicidade ou tristeza bonita, a poesia que cabe em tua alma e faz desse olhar, mensageiro de versos que minha humanidade sente, é linda.
    Beijo em tuas mãos a minha alegria.

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