café e dores

café e dores

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Você se identifica?

Ela tem aquela voz sem sotaque que derrete as minhas chances de negá-la amor. Aqueles lábios rudes não precisam se abrir para que eu decifre que ela tem sede de amar de forma degenerada. Eu não tenho preço, me dou sem que mova as pestanas, sem que ouse me discar o número. Quando me perco ao tentar decifrá-la, enxergo a minha fraqueza, o meu voto de devoção àqueles olhos apáticos. Leio todos os dias os versos que a salvam da morte, os apelos que faz aos céus e me desconjuro por não fazê-la feliz como tanto necessita. Não sei a causa daquela tristeza que persegue-na, mas eu fugiria com ela para o Texas pois renunciaria o meu futuro só para observá-la sorrir pairada tranquila em minha fixação. Um temporal decidiu molhar o corpo leigo dela aproveitando cada pedaço de pele camuflada por creme de pêra que hidratam pelos que não me acariciam, recitando com os pingos a poesia enraizada em sua face pálida. Não compreendo a letra dela, mas sei que escreve sobre dor quando a vejo curvada sobre o pequeno caderno azul no banco invadido pelo sol de todo dia, sei porque encena a cada estrofe o sofrimento, interpreta a rainha do meu tormento com suspiros intermináveis e choros engolidos.

Ela não é minha, mas quando me enxerga a consumi-la assim de longe, me pega o amor que custa tão caro em outras praças por aí. Leio toda manhã as poesias que não levam o meu nome e que nunca me terão como inspiração, não serei perpetuado nas palavras que ela usa como um amuleto, acho que ela é composta por medos...

Um comentário:

  1. Doloroso, tu me faz sentir o que tu vê, seja com olhos ou alma e a vida é mesmo "composta por medos", talvez eu leia aqui um retrato dela, se for possível ver, sentindo.
    Mas sei definitivamente, que tu desafia todo o pensamento e eu gosto disso.
    Saudações

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