café e dores

café e dores

sábado, 13 de setembro de 2014

Lobisomem

Se a Lua crescer mais do que os meus sentimentos, 
você vira lobisomem e me consome 
na caça furiosa do amor tão germinado 
por suas melodias à meia-noite
A noite partiu-se ao meio depois de tantas partidas
as quais me partem e só a sua metade tão 
incompleta pode me fazer discreta 
ou então seleta visto que apodreço de paixão 

Se você prometer me ensinar sobre mitologia 
e outra língua estrangeira 
eu te derramo a poesia
só para recitar com a língua na pele, 
te escreverei com a saliva
Nesse ritmo tão lento você vai descobrir,
eu sou seu parasita, 
quem vai diagnosticar qual a minha patologia? 
Espelhos já não me refletem tão bem 
quanto seus olhos carnívoros 

Você vai descobrir as minhas terras 
e invadir o território, 
me colonizar e explorar 
sem receios vai me mudar os modos, 
impor limites e me pagar barato
Vou me rebelar, te ouvir esmurrar a mobília 
e vai me chamar de ingrata 
eu só me rendo, te prendo 
e cá pra nós, eu te entendo...
Entendo como se na noite em que nos achamos 
tivesse te enfiado em mim eterno 

Vai doer 
você vai contar aos outros 
tão alto da dor 
vão te achar louco 
o seu sangue doce incansavelmente quente 
esquentaria as minhas faces sombrias
mas você tem anemia, 

Se a Lua crescer demais você me come do jeito de homem 

Um comentário:

  1. Que poema! Sensualidade na medida certa. Um jogo moderno e criativo de sedução. Original, maduro. Gostei,Gyselle.

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