café e dores

café e dores

domingo, 7 de maio de 2017

paraíso

delicado é olhar seu rosto 
poderia descrever  
singularidade arcaica 
Que te compõe 
só com um toque 
sutil da memória. 

se é frio ou queimo 
no suposto instinto 
de correr nua arregaçada 
te olhando como nunca pude
temerosa por devida selvageria 
que te chama aos berros 
em silêncio rigoroso,
diria ser loucura. 

as vértebras das costas 
no aguardo que o tempo voe 
me convidam pra deitar seu corpo, 
esqueço que existimos. 

assim revivo e somos
nós deitadas uma cama cumprida,
as roupas fora do corpo secando. 

Assim o tempo vaga 
e assim o sossego 
acompanha alvorecer 
de um sorriso no meio da noite
Bem ali no centro da minha 
insônia você sorrindo. 

o fim se fundindo, lembro de 
alcançar seu joelho com carinho, 
foi o tempo, alguma culpa 
a gente carrega, a vida, 
tem uma espécie 
de angústia que agarra 
o corpo 
navalha nas mãos. 

parece que você nasceu de uma erva. 

2 comentários:

  1. sempre melancólica, há uma identificação sobrenatural que paira sobre nós e eu acho lindo.

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