café e dores

café e dores

domingo, 26 de junho de 2016

Gabriel

quis fazer um poema
que te beijasse as mãos
sem a fissura das palavras
entrecortadas no bloco de notas
rendar meu verso longo
na borda de seu sistema motor
até decorar o tom dos atos
entre o sincronismo
e a distração
quis até construir um jardim
pro nosso palácio
de constelação
já não se treinam assobios
mas passei perto das mudas
roubei margaridas
e pus sob fios de cabelo
cadentes de sossego
uma luva tricotada
pro inverno no rio
que não endurece coração
rima é remendo de ferida
em tom da pulsação
flores são mais vívidas
quando muda
a estação
construído
o poema dialoga
versos roucos
só pra livrar da solidão

torcendo,
fiz pra nós uma oração

Um comentário:

  1. Se você quis,você conseguiu e o Gabriel vai amar isso quando ler e onde ele estiver, vai estar contigo. Esse poema [ é unha e carne] feito comunhão.
    Boa semana.

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