café e dores

café e dores

quinta-feira, 23 de junho de 2016

sinapse

tua fisionomia esqueço
mas a memória retorna
assim feito passagem 
de um rio
os pés afundados
o molejo 
da força existe 
nisso

já não recordo
em função dos ciclos
o girar da terra
imperceptível

relembro no susto
em vertigem de verso
ser cúmplice do verbo

lembrança-
como presente 
ou dádiva
passado e às dobras
as rugas da testa

é uma volta e
abre a porta essa carta
mesmo
esquecido ou
revirado um rasgo

não é confissão
talvez
uma frase atravessada
esse regresso
verso termina
escasso
todos
seus retratos

3 comentários:

  1. A tua elegância está além dos cabelos e dos lábios pintados, teus versos são tão elegantes como a arquitetura dos sentidos.
    beijo e bom fim de domingo, desejo uma boa semana

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  2. Meu Deus que lindo ! No momento em que lia, em pensamento dediquei a alguém, que de tanto pensar, por vezes esqueci. Aqueceu meu coração.

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