café e dores

café e dores

quinta-feira, 28 de abril de 2016

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Deito atônita a aspirar tua tradução simultânea
Dedos profanando a gramática normativa
Dentro do padrão desgastado de roupa íntima
Como uma poetisa que desfila a caligrafia
Hei de desbravar teu corpo infinito

- À espera de um resquício no tom áspero da preguiça
Embargando o ritmo da língua evocado pelo trânsito das horas -

Tu tomaria meu gosto de ontem
Só com a fome debaixo do lençol macio
Tu seria meu acorde
O verso ébrio de um outono gasto
Como uma missão de morte e vida
Hei de desvendar tuas rimas

2 comentários:

  1. "Hei de desbravar teu corpo infinito"
    Fico aqui sempre, pois o que não escrevo só leio aqui.

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  2. Maravilhoso! Com esses versos, eu sei que tu põe o mundo numa sublevação por dez segundos, eu amei isso.
    Amei a imensidão na qual tu deitas, os teus versos. Penso que tu serias uma boa mãe.

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