café e dores

café e dores

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Zoom

Novamente dentro de mim. Não vejo nada. Só eu, e me vejo assim, complexa, sem medo, introvertida, salobra. O calor é meu, o choro, suor, cílio, desce e cai em cima da lã do vestido. Água evapora, tristeza não. Tristeza é feita de outro elemento, então a gente tem que aturar até no sol, nos dias de mormaço e de bafo no rosto. É como diz gente pra lá e pra cá que amor é coisa pra gente dura, mas é cada uma que aparece assim como se fosse luz numa tela escura num quarto trancado quando aferrolho os olhos só com medo de ver. Volto, afirmo, existe medo. Talvez não esse que se vê, mas daqueles que só sente e esconde onde o coração esqueça. Memória é questão de perspectiva mesmo nunca tendo alcançado a minha; sei que é fácil falar, escrever, tentar criar prosa poética - sobreviver. Sobreviver não. Quero ver rimar com a vida, ponto e vírgula.

2 comentários:

  1. vim aqui querendo te ler e acabei de frente pra um espelho, vendo a mim mesmo. Saudoso o dia em que eu procurei teu nome no facebook e vi teu rosto digno de um poema de modernista. Saudades, G.

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  2. "Água evapora, tristeza não. Tristeza é feita de outro elemento, então a gente tem que aturar até no sol, nos dias de mormaço [...]"
    Moça, tua poesia também faz abrir os olhos para aquilo que todos já deviam ter os olhos abertos. Tu descobre e explica o óbvio que ninguém nunca descobriu antes, ou se descobriu não soube explicar.

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