quarta-feira, 22 de abril de 2015

Luzes da cidade


você me diz que o sol vai se pôr
e eu recordo que há um oceano
tão frio e medonho
dentro de seus braços
me afogando
que temo não sair com vida

consigo ver a luz da lua na parede
do meu quarto
mas nem há lua hoje

quando os vaga-lumes aparecem
a chuva molha um pedaço de mim
mas eu não choro alto
só a tempestade cai

sonhos dormem
e temos que acordar o coração
exausto no café da manhã

quando você se perde dentro
da noite clamando que haja
algum culpado pela
nossa solidão
é quando eu existo

há licença poética em seus olhos
mas quem tem tempo pra poesia afinal?
quem repara no desassossego dessas palavras gigantescas?

quase todos os parágrafos reparam
nossa poesia é marginal em um mundo
ocupado por gramáticas
e olhos calculistas

eu vejo a luz da lua na parede
do quarto
mesmo sabendo que os postes
da cidade mentem pra mim

6 comentários:

  1. Você vive no desassossego das palavras gigantescas e naquelas que nem são ditas. Teu existir é mais brilhante que essas luzes da cidade.

    Bjoo'o

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  2. "quando você se perde dentro
    da noite clamando que haja
    algum culpado pela
    nossa solidão
    é quando eu existo"
    A síntese do poema como o entendi...
    Beijo.

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  3. "há licença poética em seus olhos": genial!

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  4. Sempre leio teus poemas com o coração na boca. São intensos, reais, sou eu nisso tudo.

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  5. Sempre quando preciso de poesia, inspiração, pra conseguir elaborar o mecanicismo e desamparo dos dias, venho aqui. E funciona!

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  6. Todas as luzes da cidade cabem nos teus olhos, no teu amoroso poema, todas as luzes cabem em ti e minha admiração, também!
    É sempre bom te ler, acho que já gosto bastante de ti.
    Saudações.

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