café e dores

café e dores

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Feliz ano morto

Todas as pessoas que eu conheço não me conhecem
e eu as desconheço todo dia
Chega um novo ano mas os erros antigos permanecem intactos
desmanchando penteados e desfazendo nós
de gravatas caríssimas
Eu vou pedir um pouquinho do que peço cada vez que abro os olhos e enxergo que ainda estou aqui
presa nesse pandemônio característico do próprio inferno
Eu vou fazer promessa a algum santo que olhe para as minhas vestes pretas e pense no quanto é triste me ver não acreditando em nada, esfregando em cada ser com fé o meu desprezo quanto a todos esses rituais inúteis
Acredito que o que eu estou sentindo por ele é a única coisa nova e alva e esperançosa por aqui

Eu acredito na morte
mas ela nunca vem provar que está mais viva do que eu

4 comentários:

  1. A poesia forte é assim Gyzelle.... inclusive já te falei.
    O poeta desafia e encara a morte, o sofrimento é seu combustível.
    E tua poesia faz isso... escancara e enfrenta a vida.
    Linda você!!!

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  2. Que a morte ainda demore para realizar essa prova, ainda preciso ler mais de você.

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  3. Um poema melancólico e belo. Que o Ano de 2015 lhe traga muita esperança.
    Beijo.

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