café e dores

café e dores

domingo, 4 de janeiro de 2015

Centro da cidade

te vejo no reflexo que quase queima
os meus olhos quando o sol
está no horário mais quente do dia
vejo você no monumento
de ferro grudado bem ao lado da praça
sempre muito só
receando que ninguém saiba de seus feitos históricos 
para estar em pé ali segurando essa arma no punho direito
eu ando por essa cidade procurando me achar encolhida
em algum pedaço de papelão
em cada viela estreita que não me reconhece
entro em qualquer sebo e enxergo o seu gosto por romances baratos
eu sempre te procuro em livros
e te encontro em mim
assim sendo esse novo personagem
que me tirou da cama só para escrever olhando para a Lua
porque sei que daí você também pode vê-la

toco o seu corpo dourado quando o pássaro triste
no centro da cidade pousa ao meu lado
e não me vê como uma prisão
sou uma prosa que te recita aos estranhos
desse Rio de Janeiro só para provar que isso tudo
não é apenas uma miragem vinda desse asfalto quente de minha cidade

Um comentário:

  1. pele dócil, dourada e de ferro, empunhando espada pra demonstrar a força de seus feitos históricos. Acho que te vi nos anúncios da cidade e nas marcas de panela, gyzelle.

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