café e dores

café e dores

sexta-feira, 22 de março de 2013

Mestre dos olhos solitários

Ela era a calma que um poeta precisa pra criar um verso
Ela era muito mais que breve inspiração,
Era jardineira de sonhos,
Mulher que muito tinha no olhar e pouco falava.

E aqueles olhos meigos eram uma valsa noturna
Coisa que quem visse logo a chamava para dançar
Mas ela não dançava!
Ela somente sorria e fazia gestos meigos,
Um feitiço com zelos de amor mal interpretados.

Ela era muito envergonhada
E as maçãs do rosto ficavam coradas facilmente,
Ninguém conseguia compreendê-la,
Logo ela se via sozinha dentro da madrugada com os olhos inchados,
Caminhava até a janela observando a lua dançando sobre a bruma
E rezava baixinho uma canção de dor.

Ela é dor!
Ela é o presente que nesse poema eu não escrevi,
Ela é a redação mais correta que alguém poderia desenvolver,
A solução mais social, o impossível.

A alma dessa mulher é loira como seus cabelos
E sua pele cheira a perfume adocicado de flores,
Pele branca como a neve recém caída no início da primavera.

Ela é brega, as músicas que ouve também o são
Mas no meio de tanta agonia ela se desfaz de bom gosto,
Traz na bagagem uma vida solitária, nas mãos o afago ao amado
E nos lábios o mel que forjou sendo abelha para resguardar-se

E logo quem a vê percebe que ela é muito diferente
É impossível ver a alma dessa mulher
Mas exala o cheiro de bem-me-quer, sensualidade, saudade.

Diante seus ensinamentos nos deitamos sobre o leito da verdade
Ela é a mestre que sempre sonhou ser
Alma resignada a todos os dias florescer.

2 comentários:

  1. Deveras apaixonante essa daí, descrita pelo eu-lírico.

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  2. Jorge, você pode ter a plena certeza que sua conclusão está correta.

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