café e dores

café e dores

quinta-feira, 7 de março de 2013

Cólera do homem corrosivo

Era catastrófico o fim presente
mais 1 fim
aqueles olhos vazios
e pequenos olhavam a acusar
éramos água e álcool
e por milhões de vezes queimamos.

Foi um amor conturbado,
mas meu coração não tem dono
é relojoeiro a forjar amores.

Eu sofro!
sofro mais do que aqueles que amam por 100 anos
mais do que o outro que nunca amou
muito mais do que aquele poeta que diz morrer de amor
eu sofro como se tivesse em estado terminal
quando descubro que é hora de trocar de amor.

Sou um doente em busca de ajuda
e machuco as pessoas por onde ando
eu maltrato quem me ama
e viro serragem separando e viro heterogêneo
mas amo por cem mil vidas
amo por centenas de noites.

Mulheres que amo
e sou enlouquecido em busca de paz
e sou louco
mas não sou de ninguém
eu não quero conformar-me com a ideia
de acabar com minha sede.

Ando bebendo demais
eu só quero um amor tranquilo como nunca fui
mas agora só preciso é de mais 1 amor corrosivo

Queimando, por favor.

3 comentários:

  1. Lindo! Uma palavra ou outra fora do lugar, mas não há lugar certo num poema tão visceral. Pelo contrário, sua bagunça técnica faz parte de sua verdade. Espelhei tanto meu atual momento nesses versos que é impossível ser imparcial ao comentá-lo. Mas ler algo que parece falar sobre mim, sobre mim agora, foi como exorcizar alguns demônios. Se você fizer um blues desse poema, por favor, me deixe ouvir.

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  2. Jorge, escrevi esse poema realmente com o intuito de deixar essas palavras fora do lugar, tentei com uma métrica um tanto quanto estranha deixar o poema com a cara de escrita por um louco em uma noite depressiva qualquer. Aliás, inspirei-me em pessoa, um poeta, depois de conhecer sua vida um tanto quanto ''corrosiva''
    Fico grata pelo comentário.

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  3. Drummond disse - acho que foi ele - algo como 'o poeta tem que reinventar a língua'. Sua tentativa rendeu um fruto belíssimo! Se você está falando de Fernando Pessoa, então sim, ele teve uma vida que se pode chamar de corrosiva. haha Também és uma apaixonada por Pessoa?

    P.s.: Voltei aqui hoje pra reler o poema, acho que ele marcou de verdade. rs

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