café e dores

café e dores

sexta-feira, 15 de março de 2013

Maria-Ana psicodélica

Seus olhos são pontes para o inferno
Pequenos porém escuros como pérolas negras
E seus cabelos curtos de fios marrom cor-de-vida
São uma enorme bagunça
Retratando gentilmente o que existe dentro dela.

Seu cheiro de erva medicinal embala o vento para cantar
E sob uma enorme árvore ela pintou o seu amor
Nas mãos tão macias ela segura o lápis
E desenha uma borboleta
Mas ela não sabe fazer cores e entristece quem a vê.

Ela é tão solitária e anda curvada como se carregasse o peso da solidão
E todos os dias eu conheço uma nova Mari-Ana
Renovando-se a cada pôr-do-sol tristonho
Maria, Ana, Mariana
Uma infinidade de mulheres em um só corpo infantil.

Sob o sol Carioca ela desfila com uma calça preta de veludo
E seu coração está afogado em um poço congelado
Condenado a anos de arte.

Seu corpo é desenho exótico
Tão pouco explorado
E ela vive um conto de duendes
Cheio de cogumelos psicodélicos
Seres humanos não são capazes de entrar

Vive rodeada de anjos
Mas é um demônio do inverno
Pronta para mais uma brincadeira do espelho
Não há quem não se apaixone
Pela garota do gorro vermelho.

2 comentários:

  1. Olá nobre poetiza, sua personagem vive no anonimato de si própria, porem cheia de sonhos e desejos, falta-lhe coragem para desabrochar, pois muitos desejam saber o que de fato se esconde sob suas vestimentas camuflantes, haja vista que o seu semblante sugere uma anatomia cheia de contornos empolgantes, Parabéns pelo seu instigante poema, um grande abraço, MJ.

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  2. Ela só quer ser feliz sozinha, ela quer encontrar a paz que o mundo não tem.

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