café e dores

café e dores

sexta-feira, 28 de abril de 2017

brisa

ja sentiu
cheiro 
da tarde brotando?

tranco do motor 
estagnado o céu 
num só flash 
cardume lânguido 
dos pássaros 
ao longe 
uma florinha fincada 
no asfalto
suja de lama 
no vão do salto

as vezes a gente expressa 
e não diz é que desacredita,
se palavra toda solta 
fosse ao menos revolução

no mais,
o cachorrinho caminha 
sorriso língua nervosa
o chão é perigoso 
as quedas, 
só olhar pra frente, 
tem gente, 
e me olha como se fosse bicho, 
o cão

A gente nem olha, 
desvia, 
sente sente mas vê, 
falta sentido

ah é que bate uma nostalgia 
imagem de infância 
segurar nuvem 
na mão, 
e devagar a roupa bate 
no corpo, 
de tão forte que é o vento 
gostoso vindo depressa

sabor de deserto na boca
olhos e água mais sal do Brasil,
desacredita, 
tem cheiro pra todo lado 
vindo de fora!

não quero falar 
como se a gente fosse tudo 
mas tudo não passa 
de um pouco da gente, 
e segue cabisbaixo
as durezas do chão, 
pedregulho

reluz no ponto 
mais indecente 
lá da frente, 
aponta
cheiro de fim.

É lá que a estrela 
tá gemendo de gosto da noite, 
muda a estação, 
mal olha pra cá 
gingado as flores 
brotando 
muita arte das cores, 
quanta pintura!

acho que o céu 
piscou pra mim

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