café e dores

café e dores

sábado, 1 de dezembro de 2012

Réquiem teatral

Como de clichê o céu era um borrão cinzento,
Lama das estrelas.
As flores campestres se diluviando
Por entre meus dedos
Queriam escapar daquele tristonho fim.

Tocava um lúgubre réquiem
Tão afoito e desajeitado quanto a platéia,
Fazendo uma litúrgica homenagem ensaiada.

Olhos - mãos - barriga - corpo, a tremer
Um coração estático,
Completa certeza de que ela não mais irá agonizar a vida.

Falsas lágrimas a rolar de órbitas profundas,
Podres orações para o cadáver
Aliviados por não estar ali,
Lamentos por saberem que estarão.

Quando viva a pobre alma amada não foi
Hoje, estagnada, ela é fortemente idolatrada
Mofina beleza que foi deixava,
Em vida morria de fome para perder gordura,
Enfim caveira, oh! Formosura.

Todos de preto contemplando o respeito à morte
Eu, de vermelho, a lamentar meu amor
Um funéreo romance,
Seu pálido rosto deixou-me absorto.
A lápide em chamas borbulhava, ela era alérgica a flores
Ela é minha rainha, veja a sua coroa!

O caixão desfila, deslumbrante
Perfeitamente envernizado
O show da agonia finalmente acaba
Estou distante dela, pois está cravada no chão como planta
Com um término que sempre almejou:
És flor

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