sábado, 22 de setembro de 2018
de manhã
que a gente as vezes sente e de verdade
a vida vai ensinando bem rápido
as delicadezas de um jeito bem devagar
por inteiro a vida de carinho
de brincar e de dormir
a vida sem dúvida ensina por alto
de frente de esperta
a vida nos pergunta
como?
a gente se pergunta
e quando descoberto
de descuido
nos encobre devagar de noite
a vida diz que recomeço
e de novo de manha a gente acorda
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
disserse
o mundo é inseguro
você se vê no escuro
e acha que ninguém te enxerga
você vai colher plantas
você vai sorrir sem saber
tendo certeza
absolutamente
de tudo e nada
ao mesmo tempo
e vai chegar a hora
que achará melhor dormir
mas não vai encontrar lugar
que chame de repouso
vai insistir
até dizer chega
e quando chegar a hora
vai desistir
mas vai insistir
de novo
isso é o de mais sutil em você
desvia e vira olhos para ver
terça-feira, 18 de setembro de 2018
Imensa
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
alagoas
do mesmo modo se banha
a eternidade deste agreste
em teu busto;
o mofo e o limbo
preposicionados o bafo do dia
amparados nossos perfis
transgênicos;
talvez seja deste modo
que a tempestade anuncie ventos
de palha e areia;
tenhamos talvez na incerteza
das interlocuçoes
suspendido o diafragma
e engolido poemas;
tragicômicoss
desenfreados;
e no percurso
o cisto recai ao parabrisa
e a gente se lembre de estacionar;
deste lado do agreste alagado
na beira do olhar;
sábado, 15 de setembro de 2018
Fernanda
ainda que todos os poemas te falem de Sol ou da manhã,
e se delonguem
voce descobriria que novamente o sol falará sob ti
e por viver sob o Sol
teu rosto largo se alogando num sorriso e se os poemas o Sol e a manhã são por tu metáforas
quanto a ti poderia criar todas as abstrações possíveis
se fosses Alice,
Clarisse, e A maior mulher do mundo,
ainda serias Fernanda acordando o Sol ao sorrir longamente
delirando de Sol amanhã
terça-feira, 11 de setembro de 2018
teu poema de saudade que me chama?
portando um sorriso 33mm
próximo à terça da paixão.
quando do alto a gente
estendia os braços!!
e seguia vagalumes,
o vermelho das caras
estampavam as cores do bairro,
era alvoroçada tal fugacidade
desnaturada de cavalos-marinhos...
já fora tarde para dizer que esquecera,
os poemas prendidos na língua,
recitava como quem descrevia
um quadro largo na mesa do jantar.
dizia da languidez do vulcão
que parecia ferver por debaixo
dos panos mastigados,
parecia sorrir sem hora precisa
como um gatilho.
e me mostrou com os dedos
o mapa escondido bem
na bordinha do céu,
desaguavam estrelinhas...
sinto uma grandeza de narrar
esse encontro/essa chegada
pois descobrira coisas
encolhidas no verso que fazia
ao estirar a boca.
como navega em si
e jamais retorna
que às vezes o bonde é transporte
de saudade,
que o gosto gelado de inverno
queima a oleosidade dos cabelos,
que o mundo...
ainda descobriria
retornaria como quem envia
uma carta às pressas,
anunciara chegada.
ao certo, sei quem és,
mas certamente só através da experiência
e há de se saber que por experiência
decerto não sei. quem és?
segunda-feira, 10 de setembro de 2018
límpida
sinto teu sabor banho de lágrima na memória respirando em minha boca,
quando me disse do cheiro de cigarro impregnado na despedida, quis dizer que teu cheiro não era a fumaça que deixava no quarto pela janela trancada,
quis te dar um trago, mas fui embora pelas 7 a fim de nao te acordar com minha tosse,
temo demais ser a confusão em tua cama, e que teu cheiro se confunda com meus olhos,
e gosto desse sabor aguado de fluidez quando a gente se esbarra, ou quando teu ronco delicado me faz sorrir,
e se disser que sorrio é porque no teu colo me banho de calor do corpo sentindo, e se disser o que sinto estaria entregando o porquê de chorar junto ao teu cheiro,